“Esta revisão resulta em um aumento significativo das áreas sob contenção, permitindo um controle mais efetivo da expansão da AL em áreas já saturadas e seus arredores”, indicou o gabinete do prefeito de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), na informação fornecida sobre a proposta de alteração ao Regulamento Municipal de Alojamento Local (RMAL).
A proposta também visa criar uma zona única de contenção absoluta a nível municipal, “sempre que o município atinja um índice igual ou superior a 10% “, de acordo com a proposta, que será discutida na próxima semana na reunião do conselho marcada para 27 de novembro.
Suspensão
Nos últimos meses, o registro de novos aluguéis de curta duração (ALs) foi suspenso na cidade até que a mudança no Regulamento de Alojamento Local (RMAL) entre em vigor, ou enquanto o município apresentar um índice entre habitação permanente e esses estabelecimentos “igual ou superior a 5% “, e o município registre um índice
de 7,2%.De acordo com a liderança do PSD/CDS-PP/IL, que governa sem maioria absoluta, a proposta de alteração à RMAL introduz um conjunto de medidas que visam “reforçar a proteção da função habitacional, assegurar um desenvolvimento urbano equilibrado e garantir uma gestão mais eficaz da atividade de arrendamento de curta duração no município”.
Com uma abordagem territorial “mais rigorosa e bem fundamentada”, a proposta reflete as conclusões do relatório de ponderação sobre as contribuições recebidas durante a consulta pública, com mais de 70 contribuições, alinhando-se com a Carta Municipal de Habitação e as alterações ao Regime Jurídico de Funcionamento de Estabelecimentos de Alojamento Local.
A alteração ao RMAL (Regulamento Municipal de Estabelecimentos de Alojamento Local) prevê a “adoção de freguesias, e dentro de freguesias, bairros, como unidades geográficas básicas de monitorização e contenção”, o que significa que toda a cidade será permanentemente monitorizada, “e será possível declarar qualquer bairro ou freguesia que exceda os rácios de contenção (razão entre o número de estabelecimentos de Alojamento Local e o número de habitações na mesma área).) como estando sob contenção.”
Ao revisar os índices que determinam as áreas de contenção, o conselho pretende torná-los “mais restritivos do que o regulamento atual, aprovado em 2019”, sugerindo que, em contenção absoluta, o índice seja reduzido de 20% para 10% (10 AL [Alojamento Local] para cada 100 habitações, em vez dos 20 AL anteriores para cada 100 habitações), e, em contenção relativa, o índice é reduzido de 10% para 5% (cinco AL para cada 100 habitações, em vez dos 10 AL anteriores para cada 100 habitações).
Apresentada pelo vereador Vasco Moreira Rato (independente indicado pelo PSD) — ainda não há informações sobre a distribuição de pastas entre os oito membros eleitos do PSD/CDS-PP/IL — a proposta da RMAL inclui a possibilidade, em áreas de relativa contenção, de oferecer AL [Alojamento Local] na forma de “quartos” em habitações de tipo T2 ou superior que constituam a residência habitual do proprietário.
“Essa medida promove uma forma de turismo integrada à vida comunitária, contribuindo para a permanência da população residente como complemento à renda familiar”, argumentou.
Outras medidas incluem a impossibilidade de autorizações excepcionais para aluguéis de curto prazo em imóveis adquiridos em leilão público; a restrição de usos complementares, como comércio, serviços, alimentos e bebidas, dentro de estabelecimentos de hospedagem; e a limitação da transferibilidade do título de registro em áreas de contenção, salvaguardando as exceções previstas em lei.
Equilíbrio
Segundo o gabinete de Carlos Moedas, a Câmara Municipal de Lisboa pretende garantir um equilíbrio sustentável entre a atividade turística e o direito à moradia, promovendo um modelo de desenvolvimento urbano que favoreça a qualidade de vida da população e a proteção do território, numa época em que os aluguéis de curta duração representam atualmente “cerca de 67% da oferta de alojamento turístico” na
cidade.No atual mandato (2025-2029), o social-democrata Carlos Moedas governa em minoria, com oito membros eleitos da coligação PSD/CDS-PP/IL, ficando um pouco aquém de obter a maioria absoluta, o que exigiria a eleição de nove dos 17 membros que compõem o executivo da capital. Na oposição estão quatro vereadores do PS, um do Livre, um do BE, dois do Chega e um do PCP
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