A pesquisa mostra que cerca de dois terços dos estudantes estrangeiros não relatam discriminação por parte dos professores em seu ambiente escolar, embora as experiências variem significativamente de acordo com o histórico. No geral, 55,7% dos estudantes com origem imigrante afirmam ter enfrentado alguma forma de discriminação na escola — um número que sobe para 70,6% entre os estudantes da primeira geração.

A maioria dos incidentes relatados ocorre entre alunos, com professores envolvidos em 35% dos casos e pessoal não docente em 10,9%. Onde a discriminação é identificada, ela é mais comumente associada à cor da pele, aparência física e país ou território de origem. Em casos envolvendo professores, os alunos citam com mais frequência o país de origem e a cor da pele, bem como casos de tratamento diferenciado ou exclusão.

O estudo também descobriu que mais de 60% dos estudantes que relatam discriminação por parte dos professores não especificam as razões por trás dessas experiências. Entre aqueles que relatam incidentes, a maioria afirma que as situações ocorreram em mais de uma ocasião.

Os pesquisadores descrevem as descobertas como “sérias e potencialmente subestimadas”, observando que as barreiras emocionais podem impedir que os alunos denunciem discriminação e que a pesquisa foi conduzida em uma sala de aula, o que pode limitar a divulgação.

Ao destacar áreas de preocupação, a pesquisa também aponta para desafios institucionais, e não apenas para o comportamento individual. Isso inclui preparação desigual para ambientes escolares multiculturais, interpretações divergentes da legislação e práticas que podem impedir involuntariamente a inclusão — como restrições ao uso da língua materna dos alunos enquanto

aprendem português.