O estudo, Imigrantes em Portugal: Mais Compreensão, Melhor Inclusão, é realizado desde 2010 e entrevistou 829 imigrantes usando 36 perguntas, juntamente com 19 entrevistas em profundidade.

Uma das descobertas mais impressionantes diz respeito à forma como as diferentes comunidades se percebem umas às outras. Embora os portugueses geralmente se considerem semelhantes aos outros europeus ocidentais, apenas 2% dos imigrantes disseram que sua comunidade se sentia “muito parecida” com os habitantes locais. O padrão foi invertido para angolanos e cabo-verdianos, 40% dos quais se sentiam semelhantes aos portugueses — um sentimento que não foi totalmente retribuído

pela população local.

Uma pesquisa do Consumer Intelligence Lab (C-Lab) descobriu que os brasileiros relataram os maiores níveis de bem-estar entre os imigrantes em Portugal, enquanto os do sul da Ásia relataram os mais baixos. Os europeus ocidentais eram os menos propensos a falar português e demoraram mais a adotar os costumes portugueses do que os imigrantes da África, América do Sul ou de outras regiões europeias

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Os brasileiros também se sentiam mais integrados, frequentando frequentemente restaurantes e shopping centers, embora ganhassem menos do que os imigrantes da Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, eles podiam acessar facilmente os produtos de casa, o que pode tê-los ajudado a sentir um sentimento de pertencimento.

Quando se trata de idioma, quase metade dos europeus ocidentais (49%) falava pouco ou nenhum português — a maior proporção entre todos os grupos. Isso foi seguido por imigrantes do sul da Ásia (34%), leste da Ásia (28%), Europa Oriental (13%), América do Sul (10%), Balcãs (8%) e países africanos de língua portuguesa (0%)

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Os imigrantes do sul da Ásia relataram as piores condições de vida e enfrentaram problemas para acessar os serviços, tornando a integração mais desafiadora. Cerca de 63% deles se sentiram “muito diferentes” dos portugueses. Os imigrantes do Leste Asiático relataram a maior sensação de diferença, com 83% relatando se sentirem “muito diferentes”, seguidos pelos europeus ocidentais (31%), pelos Balcãs (31%), pela Europa Oriental (19%), pela África (13%) e pela América do Sul (14%)

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Em contraste, os imigrantes da África, da Europa Oriental e dos Bálcãs frequentemente experimentavam um sentimento de pertencimento por meio de hábitos cotidianos, como fazer compras e jantar. No geral, 63% dos imigrantes descreveram os portugueses como “muito acolhedores”, embora 25% tenham relatado ter sofrido

discriminação.