A presidente do Instituto de Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD), Joana Teixeira, explicou que essas “três regiões do país foram selecionadas como as mais necessitadas em termos de recursos humanos para fornecer serviços de tratamento e substituição de opioides”.
A fase piloto prevê a participação inicial de três farmácias por região, cada uma monitorando quatro pacientes. A futura participação voluntária de outras farmácias será formalizada por meio de comunicação via Portal Licenciamento+.
O anúncio foi feito por Joana Teixeira na Comissão Parlamentar de Saúde, onde apresentou o relatório anual de 2024 sobre comportamentos aditivos, em resposta à deputada do PSD Liliana Fidalgo.
“Começaremos com 12 pacientes em cada uma das três regiões na segunda quinzena de abril. Portanto, tudo está indo conforme o planejado para que isso se torne realidade em breve”, disse ela.
Joana Teixeira destacou que todos os parceiros — a Associação Nacional de Farmácias (ANF), a Associação das Farmácias Portuguesas, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) e o ICAD — estão “em sintonia” e “colaborando” neste projeto.
O protocolo para a dispensação e administração de metadona nas farmácias comunitárias foi assinado em 24 de novembro de 2025 entre o ICAD, o INFARMED, a Sociedade Farmacêutica Portuguesa, a ANF e a AFP, marcando o retorno deste serviço depois de ter sido interrompido em 2012.
Foi assinado no âmbito dos Programas de Tratamento de Cloridrato de Metadona em Farmácias Comunitárias com o objetivo de ampliar o acesso ao tratamento para pessoas com dependência de opioides, incluindo farmácias como locais de dispensação controlada e monitoramento terapêutico.
De acordo com o ICAD, o uso e abuso ilícitos de produtos psicotrópicos e narcóticos têm crescido a um ritmo alarmante em vários países, incluindo Portugal, onde atualmente existem mais de 11.000 pessoas envolvidas em programas de substituição de metadona.
Na audiência, Joana Teixeira falou também sobre estratégias integradas com as autoridades locais para abordar as preocupações relacionadas com o uso de drogas em Lisboa e no Porto, uma questão também levantada por Liliana Fidalgo.
“Esta questão mereceu a nossa maior atenção desde o início”, disse o presidente do ICAD, que tomou posse em 1 de janeiro, substituindo João Goulão.
Ela disse que contatos já foram estabelecidos com a vereadora do Porto, Gabriela Queiroz, e uma reunião foi realizada com a vereadora da Câmara Municipal de Lisboa, Maria Luísa Aldinho, com o objetivo de tomar “ações robustas” no terreno.
“Estamos todos trabalhando juntos para oferecer uma resposta que vá além da sala de consumo assistido, que é sem dúvida uma das necessidades, mas queremos uma resposta mais robusta, para que em um ou dois anos não nos deparemos com os mesmos problemas novamente e, em vez de uma sala com um tamanho de X, precisemos de X mais 100 metros quadrados”, ressaltou.
Joana Teixeira argumenta que “é necessária uma intervenção robusta que realmente reduza os danos com a sala de consumo assistido”, mas que também permita que os pacientes sejam recrutados para tratamento e ofereça respostas sociais.
O objetivo, ela explicou, é ter uma “resposta mais abrangente e integrada e não apenas a questão da sala de consumo assistido”.







