“Só há uma empresa que tem um contrato de longo prazo; é uma empresa espanhola, mas importa através de Sines, que é a Naturgy, que tem um contrato de longo prazo para importar gás russo. Significa muito pouco em termos percentuais para o país; significa cerca de 5%”, disse a ministra portuguesa do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

Transição competitiva

Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas, após se reunir com a vice-presidente executiva da Comissão Europeia para uma transição limpa, justa e competitiva, Teresa Ribera, o ministro português admitiu que, até que a UE “tenha um quadro legislativo europeu forte”, Portugal “não pode agir em relação a essa empresa [...] devido a questões contratuais”. A União Europeia aprovou o fim das importações de gás russo (gasoduto e GNL) com prazos finais em

2027.

O acordo, finalizado no final do ano passado, estabelece o fim do GNL em 1 de janeiro de 2027 e do gás por gasoduto em 30 de setembro de 2027, com o objetivo de que a UE cesse sua dependência da energia russa devido à ofensiva na Ucrânia. No entanto, “existem algumas exceções e temos que ver se esse contrato não está entre essas exceções”, explicou Maria da Graça

Carvalho.

Análise adequada

Ainda assim, no dia em que marca o quarto aniversário da guerra na Ucrânia, o ministro assegurou: “Isso tem que ser muito bem analisado porque é um contrato válido [...], mas estamos monitorando o assunto e, assim que possível, e assim que tivermos a sólida possibilidade legal de agir, agiremos

”.

Portugal é um dos estados membros da UE que terá que encontrar alternativas às importações russas de gás, uma vez que ainda importa GNL da Rússia, embora em quantidades relativamente pequenas. Em 2024, Portugal importou aproximadamente 49.141 GWh (gigawatt-hora) de gás natural, dos quais aproximadamente 96% eram GNL. Do total de GNL, cerca de 4,4% se originou na Rússia. Além disso, a participação russa nas importações de GNL em Portugal caiu de cerca de 15% em 2021 para 5% em 2024

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