De acordo com dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF), com base em informações da Health Market Research (HMR), o “crescimento significativo” em 2025 foi “impulsionado principalmente pela entrada de Mounjaro e Wegovy” no mercado português.

Demanda crescente

Dados divulgados pela agência de notícias Lusa por ocasião do Dia Mundial da Obesidade, comemorado em 4 de março, mostram uma demanda crescente por esses medicamentos desde 2019, quando 45.787 embalagens foram vendidas, atingindo

572.256 em 2025.

Em 2020, 46.500 (+1,6%) pacotes foram vendidos, subindo para 55.173 (+18,7%) em 2021, 60.259 (+9,2%) em 2022, 82.513 (+36,9%) em 2023, 119.588 (+44,9%) em 2024 e atingindo 572.256 (+378,5%) no ano passado.

Atualmente, medicamentos contendo Orlistat, Mysimba (bupropiona + naltrexona), Saxenda (liraglutido), Wegovy (semaglutido) e Mounjaro (tirzepatida) estão disponíveis em Portugal para o tratamento da obesidade.

A Associação Nacional de Farmácias observa que Mounjaro tem indicações terapêuticas para diabetes mellitus tipo 2 e controle de peso.

Reembolso exigido O reembolso

desses medicamentos tem sido exigido por especialistas, médicos e associações de pacientes, que defendem sua importância

no combate à obesidade.

Outra estratégia de tratamento é a cirurgia bariátrica/metabólica, cuja atividade aumentou no Serviço Nacional de Saúde em 2025.

De acordo com dados da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foram realizadas 4.005 cirurgias em 2025, mais 312 do que em 2024 (3.693) e mais 581 em relação a 2023 (3.424).

Tempo médio de

espera pela cirurgia O tempo

médio de espera pela cirurgia foi de 4,75 meses, de acordo com os dados, que também indicam que, no final de 2025, 1.811 pacientes estavam na lista de espera para a

cirurgia.

A lei estabelece que as cirurgias com prioridade normal devem ser realizadas no prazo máximo de seis meses (180 dias).

Em declarações à Lusa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, afirmou que “os centros de tratamento cirúrgico da obesidade estão a funcionar cada vez melhor”, mas a procura continua muito elevada.

Ela exemplificou isso no centro onde trabalha, ULS São João: cerca de mil pacientes são operados por ano, mas a lista de espera é longa porque há “muitos, muitos pacientes que precisam de uma solução cirúrgica”.

Além disso, explicou o endocrinologista, muitos deles precisam de tratamento farmacológico antes e depois da cirurgia.

Doença complexa

O especialista reforçou que “a obesidade é uma doença crônica e muito complexa”, na qual os pacientes precisarão de todas as estratégias disponíveis ao longo da vida.

“Felizmente, agora temos boas estratégias e esperamos ter outras ainda melhores no futuro”, com a evolução da cirurgia e dos medicamentos, disse Paula Freitas, argumentando que “são necessárias muitas ferramentas para tentar tratar essa patologia muito séria que causa tantas mortes”.

Sobre os novos medicamentos, o especialista disse que “eles são muito eficazes” no tratamento desses pacientes, defendendo a importância de serem subsidiados.

Sobre o alto preço desses medicamentos, Paula Freitas afirmou que “muitas vezes” o custo deve ser visto como um investimento.

“É verdade que para algumas pessoas há total inacessibilidade, mas para outras, isso pode ser visto como um investimento em ganhos de saúde e no prolongamento de suas vidas”, enfatizou.

O especialista admite, no entanto, que a obesidade é mais prevalente nas classes sociais mais desfavorecidas e, para muitos, o acesso não será possível.

“É por isso que também lutamos por uma maior acessibilidade para pacientes que têm obesidade e precisam dela, independentemente de sua condição socioeconômica”, argumentou o presidente da SPEDM.