Em declarações à agência de notícias Lusa após uma apresentação pública em Lisboa do conteúdo da denúncia, o porta-voz da Comissão de Utentes, Aristides Teixeira, disse que o serviço prestado pela Fertagus, a linha ferroviária que liga as duas margens do rio Tejo através da Ponte 25 de abril, entre Lisboa e Setúbal, é um ataque à saúde pública, à integridade e à segurança dos passageiros.
“Na quinta-feira [12 de março], enviamos uma queixa à Comissão Europeia, Subcomissão de Transportes, contra o Estado português, que supervisiona a Fertagus, devido às condições indignas em que milhares de pessoas são transportadas entre os dois bancos, e pedimos que intervenham junto do Governo para que a situação mude”, disse.
Na denúncia, segundo Aristides Teixeira, a Comissão de Usuários relata que a situação piorou desde 2025, com atrasos diários na circulação de trens, velocidade muito reduzida e avarias.
“As pessoas se aglomeram nas plataformas, se empurram e se agridem verbal e fisicamente. Todo mundo quer entrar nas carruagens lotadas, incluindo crianças, respirando umas sobre as outras. Nessa atmosfera sufocante, sempre há alguém precisando de ajuda, e o trem tem que parar na próxima estação e esperar por ajuda”, relatou
.De acordo com o porta-voz da Comissão, o governo está ciente da situação, mas nada melhorou.
“Quando falamos sobre nazismo, a imagem que vem à mente é a de campos de concentração. Hoje, quando falamos sobre a Fertagus, a imagem que vem à mente é de milhares de pessoas se sufocando dentro das carruagens — essa é a verdade pura
e simples”, enfatizou.Aristides Teixeira também mencionou que algumas pessoas já estão usando carros, fazendo um esforço financeiro, um ou dois dias por semana, apenas para evitar ter que viajar de forma tão indigna nos trens da Fertagus.
O porta-voz da Comissão sublinhou ainda que a denúncia enviada à Comissão Europeia é um apelo para que esta intervenha junto do Estado português para que “medidas urgentes sejam tomadas para pôr fim a esta situação que envergonha Portugal aos olhos da Europa civilizada”.
“Esperamos que, ao tomar conhecimento desta forma dramática em que são transportados, a Comissão peça esclarecimentos ao Governo sobre este assunto. É uma forma de pressioná-los. Será um processo lento, mas deve ser um caminho de médio prazo para que as pessoas comecem a ser transportadas com a dignidade mínima do pior operador ferroviário que existe em Portugal”, disse.







