Os dados vêm de uma análise dos pesquisadores Carolina Santos e Pedro Pita Barros, da Nova SBE, que constataram que 14,1% dos adultos usaram um médico de família particular no ano passado e, desses, aproximadamente 70% têm um médico de família designado pelo Serviço Nacional de Saúde.
Os dados mostram que “o principal fato subjacente ao uso de um médico de família no setor privado em Portugal não é a ausência de um médico de família no SNS, mas sim a cobertura por seguro de saúde privado ou outra forma de cobertura dupla”.
Procurar cuidados de saúde privados sem médico de família
De acordo com a análise “Médicos de Família no Setor Privado em Portugal: Situação Atual”, apenas 4,2% da população total recorre a cuidados de saúde privados porque não têm médico de família no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e aproximadamente 10% da população tem cobertura dupla (médico de família no SNS e no setor privado
).O estudo mostra que ter um plano de saúde aumenta a probabilidade de procurar um médico de família no setor privado em cerca de 39 pontos percentuais, mostrando também um aumento significativo ao analisar beneficiários de subsistemas privados de saúde: 24,5 pontos percentuais em todos os subsistemas privados, 15,2 pontos percentuais no caso da ADSE (um esquema de seguro de saúde público para funcionários públicos) e 10,8 pontos percentuais entre o ADM (um esquema de seguro de saúde privado para funcionários públicos) beneficiários (incluindo PSP e GNR).
“Em contraste, não ter um médico de família no SNS só aumenta essa probabilidade em 6,3 pontos percentuais (um impacto cerca de quatro vezes menor do que o associado ao seguro de saúde privado)”, aponta.
Apesar da perda de acesso, o aumento do uso de médicos de família no SNS leva a um aumento moderado nos cuidados de saúde privados: a probabilidade prevista de recorrer a cuidados de saúde privados é de 13,4% para aqueles que mantêm um médico no SNS, subindo apenas para 18,7% se esse acesso for perdido.
Taxas mais altas de uso de saúde privada
OAlgarve e a Grande Lisboa (19,3% e 16,8%, respectivamente) têm as maiores taxas de uso de saúde privada, seguidos pelo Grande Porto (13,6%) e pelo Litoral Norte (
11,5%).“Curiosamente, regiões com alta cobertura pública, como a Costa Norte (94,6%) e o Grande Porto (93,1%), também registram níveis significativos de dupla utilização (10,9% e 12,6%, respectivamente), sugerindo que o recurso aos cuidados de saúde privados não decorre exclusivamente de falhas na cobertura do SNS”, ressalta.
Aquisição de seguro saúde
De acordo com a análise, a probabilidade de adquirir seguro de saúde privado aumenta drasticamente com o aumento
do status socioeconômico.“Esse padrão destaca que o seguro de saúde privado é altamente sensível à vulnerabilidade econômica, mesmo depois de considerar os papéis de educação, profissão e região de residência”, enfatiza.
Por outro lado, o estado de saúde autorreferido tem um impacto limitado na decisão de buscar atendimento privado, sugerindo que o acesso ao atendimento privado é mais influenciado pela cobertura financeira e pelos recursos socioeconômicos do que pela necessidade clínica imediata.
Os pesquisadores concluem que “o crescimento do seguro de saúde privado, em termos de pessoas cobertas, estará impulsionando o desenvolvimento de um hábito de usar médicos de família no setor privado que não é um resultado único, ou mesmo predominante, da falta de cobertura geral dos médicos de família no SNS”.
“Presumivelmente, existe um elemento de preferência pessoal, cujo conhecimento mais detalhado deve motivar o trabalho de gerar conhecimento adicional”, argumentam.
Para os investigadores, “a importância destes resultados para o sistema de saúde português é que não é de esperar que uma maior cobertura dos médicos de família no SNS reduza significativamente o trabalho dos médicos de família no setor privado”.
A análise foi desenvolvida no âmbito da Equity Initiative. Social, uma parceria entre a Fundação “la Caixa”, o BPI e a Nova SBE, foi baseada em dados do Baseline Survey of the Healthcare Access Report (2023 e 2025)
.









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