Discurso do primeiro-ministro

Luís Montenegro fez um discurso no jardim da residência oficial em São Bento, com ministros do atual governo e alguns do anterior, que ele também liderou, para marcar o segundo aniversário de sua posse em 2 de abril de

2024.

“Há dois anos, terminou um período em que o país tinha muita teimosia ideológica, o que correspondia a poucos resultados”, afirmou, referindo-se aos governos anteriores do PS.

Depois, reformulou uma frase que disse em 2014, durante o período da 'troika', quando admitiu que a vida das pessoas não era melhor, mas a do país era muito melhor.

“Hoje o país está melhor, e o povo português também está melhor”, argumentou.

Agradecendo ao Governo

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Montenegro começou por agradecer aos membros dos Governos XXIV e XXV que aceitaram o convite para assinalar estes dois anos de “trabalho conjunto” numa cerimónia que contou com a falta de alguns ministros do atual executivo, que estavam fora de Lisboa, como Nuno Melo, Maria do Rosário

Palma Ramalho e Miguel Pinto Luz.

Os ex-ministros Pedro Duarte, Pedro Reis e Margarida Blasco do Governo anterior estiveram presentes, mas ex-funcionários do governo como Maria Lúcia Amaral e Dalila Rodrigues não estiveram.

Ansioso por mudanças

“Há dois anos, os portugueses queriam mudanças; acreditavam que era possível fazer mais e parar de adiar o futuro”,

observou Montenegro.

Promovendo melhores condições

O primeiro-ministro destacou as reduções de impostos para famílias e empresas, aumentos de renda para trabalhadores e aposentados e os muitos acordos com carreiras da administração pública

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“Trouxemos o Estado de Bem-Estar Social para o centro de nossa ação, resgatando-o da falência operacional”, afirmou, defendendo as medidas do governo em áreas como saúde, moradia e regulamentação da imigração, com firmeza e humanismo.”

Montenegro também mencionou a criação do passe ferroviário verde, “que permite que todos os cidadãos portugueses viajem por 20 euros por um mês em todos os trens, exceto o Alfa Pendular”.

“Alcançaremos um milhão de assinaturas desse passe nos próximos dias”, enfatizou.

Dois Presidentes da República

Desde que tomou posse pela primeira vez em 2 de abril de 2024, o presidente do PSD já trabalhou ao lado de dois Presidentes da República, Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro — que, ao tomar posse, disseram querer conter o “frenesi eleitoral” dos últimos anos — e dois líderes do PS, Pedro Nuno Santos e

José Luís Carneiro.

Vencendo as eleições O

primeiro governo chefiado por Luís Montenegro renunciou em 11 de março de 2025 — menos de um ano após seu mandato — depois que o parlamento rejeitou uma moção de confiança apresentada pelo governo, após semanas de dúvidas sobre os assuntos pessoais e financeiros do primeiro-ministro e

a empresa Spinumviva.

Depois de uma campanha totalmente centrada em Montenegro — o hino da AD era “Deixe Luís trabalhar” — a coalizão PSD/CDS-PP venceu as eleições novamente em maio de 2025 e aumentou seu número de deputados (de 80 para 91), em eleições em que o Chega superou o PS como a segunda maior força parlamentar (60 deputados contra 58).

Montenegro formou um governo de continuidade — com apenas dois novos ministros — e, na primeira reunião do Conselho de Ministros, reivindicou uma posição central no cenário político português, dizendo que o executivo às vezes “deslizava” mais para a esquerda, às vezes mais para a direita, uma metáfora que ele repetiu de outras formas sempre que perguntado se governaria mais com o Chega ou com o PS.

Desde então, o caminho, num parlamento tripartido, tem sido apresentar o governo como “o eixo central” ou o “bloco médio”, sem escolher um parceiro preferencial entre o PS e o Chega.