A Lusa recebeu relatos de clientes do fornecedor que, após períodos sem faturamento regular, receberam recentemente faturas com valores elevados, algumas de centenas de euros.

Quando questionada sobre a explicação para os contínuos atrasos, o número de clientes afetados nos últimos meses e as soluções apresentadas, a Galp preferiu não comentar.

No início de março, no âmbito da apresentação dos resultados anuais, o co-CEO da Galp, João Diogo Marques da Silva, foi questionado pela Lusa sobre os atrasos na faturação que afetaram vários clientes, explicando que, no final de 2025, houve uma “mudança nos sistemas de faturação”.

De acordo com o executivo, os clientes foram então avisados de que poderia haver “alguma instabilidade no processo de cobrança durante um determinado período”, com “a possibilidade de fasear o pagamento se houvesse um atraso no nível das próprias faturas”.

“Obviamente, não podemos recuperar abruptamente de uma situação que no final do ano passado envolvia vários milhares de clientes”, disse João Diogo Marques da Silva na altura, sublinhando que a situação “tende a estabilizar”.

O co-CEO então apontou a intensidade das chamadas para call centers como um sinal dessa estabilização, que, segundo ele, já estava “em níveis quase normais”.

“Então, eu diria que neste momento é um assunto encerrado”, ele indicou em março.

A situação já tinha sido sinalizada pela DECO, que indicou ter recebido, desde o final de 2025, contactos de consumidores sem faturas de eletricidade e/ou gás da Galp, considerando a acumulação de valores nos meses de inverno, quando o consumo tende a ser maior, “naturalmente preocupante”.

A associação de defesa do consumidor aconselhou os consumidores a verificarem se as cobranças têm mais de seis meses; nesse caso, eles podem invocar o prazo prescricional ou solicitar o pagamento em parcelas de valores mais recentes.