O ministro disse que estava disponível para ser ouvido em 20 de maio pela Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas sobre o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão, depois de o Partido Socialista anunciar que convocaria Paulo Rangel ao parlamento, e o Partido Comunista Português ter proposto uma comissão de inquérito.
No entanto, a comissão parlamentar não se reunirá esta semana, e os pedidos desses partidos serão votados “com a máxima urgência” na próxima reunião, marcada para o dia 26, segundo a mesma fonte.
“Tenho uma agenda internacional complicada nas próximas semanas, mas estou disponível, se possível, de acordo com as regras parlamentares, para ir na quarta-feira [20 de maio]”, disse Paulo Rangel aos jornalistas à margem da assinatura do protocolo de negociação do quadro legal do ensino de português no exterior.
“E vou dizer uma coisa: vou realizar esta sessão com portas abertas”, acrescentou, justificando que, “em relação ao assunto em questão, não há nenhum elemento de confidencialidade, tudo foi explicado”.
Os pedidos do PS e do PCP surgiram após declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em 14 de maio, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos de usar a base das Lajes no conflito com o Irão.
Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada antes mesmo de Portugal saber qual seria o pedido.
No mesmo dia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros esclareceu em comunicado que “o pedido a Portugal para o uso da Base Aérea das Lajes só foi feito após o ataque ao Irão, e o Governo português só o autorizou sob condições que foram imediatamente tornadas públicas e são conhecidas” — em resposta aos ataques sofridos, que são necessários e proporcionais, e que não têm como alvo civis.
Paulo Rangel condenou “veementemente” a posição do PS sobre esta questão, garantindo que o partido foi “informado e consultado previamente”.
O secretário-geral socialista, José Luís Carneiro, lamentou que não tenha havido “senso de estado do Governo português” e considerou que “um dos dois não está dizendo a verdade”, enquanto o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, falou de uma “humilhação à escala planetária” e disse que o país “vive, desde aquele momento, agachado, de joelhos”.
Sobre a declaração de Marco Rubio, o responsável português disse que “todo mundo sabe que não tem valor literal”, lembrando que ele esclareceu na quinta-feira que “obviamente houve autorização para o uso da base das Lajes no contexto deste conflito”.
“Não há problema com os Estados Unidos”, assegurou.
“Uma coisa é antes do ataque [dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro] e outra coisa é depois do ataque. Portanto, a partir do momento em que o ataque ocorreu, houve uma autorização formal e ela foi dada”, explicou.
Antes do início dos ataques israelo-americanos, a base das Lajes “era usada como todas as bases europeias em fevereiro”, nomeadamente em Espanha ou Itália, “de acordo com o regime geral de autorizações tácitas”, explicou.









Follow us on social media