A resposta nem sempre é simples. Quando um estrangeiro possui imóveis em Portugal, mas mora em outro país, tem herdeiros no exterior, é casado sob um sistema jurídico estrangeiro, tem filhos de relacionamentos anteriores ou já fez um testamento em seu país de origem, o processo sucessório pode se tornar mais complexo, mais demorado e mais exposto a disputas familiares. E é por isso que fazer um testamento em Portugal pode ser altamente aconselhável para proprietários estrangeiros.

Um testamento em Portugal pode ajudar?

Um testamento permite que os desejos do proprietário em relação a seus ativos sejam expressos de forma clara e legalmente estruturada. No caso de estrangeiros possuírem propriedades em Portugal, isso pode ser especialmente importante, pois a sucessão pode envolver leis de diferentes países, documentos emitidos no exterior, traduções, legalizações, regras tributárias, procedimentos notariais e formalidades de registro de imóveis. Sem um planejamento adequado, os herdeiros podem enfrentar incertezas sobre qual lei se aplica, quem tem direito à propriedade, quais documentos são necessários, como registrar a propriedade em Portugal ou como vender a propriedade herdada no futuro

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Um testamento preparado em Portugal, em coordenação com a situação internacional do proprietário, pode ajudar a evitar muitos desses problemas. Ele pode identificar os ativos portugueses com mais precisão, indicar quem deve recebê-los, reduzir dúvidas sobre os desejos do proprietário e facilitar os procedimentos perante os notários, a Autoridade Tributária Portuguesa e o Registro

de Imóveis.

Em determinadas situações, um testamento também pode servir a outro propósito importante: permitir que o testador escolha a lei nacional que deve reger a sucessão, quando legalmente admissível. Isso pode ser particularmente relevante para cidadãos estrangeiros que vivem em Portugal ou para aqueles que possuem ativos em Portugal e em outros países. O objetivo é garantir que os desejos do proprietário sejam efetivos e compatíveis com a

lei aplicável.

Mas tenha cuidado com os instrumentos legais usados no exterior

Também é importante ter em mente que nem todos os instrumentos legais usados em outras jurisdições têm um equivalente direto sob a lei portuguesa. Estruturas comumente usadas em sistemas de direito consuetudinário, como trusts, não existem em Portugal nos mesmos termos e podem levantar questões de qualificação legal quando a propriedade inclui imóveis portugueses. Por esse motivo, as soluções sucessórias concebidas no exterior devem ser cuidadosamente analisadas antes de assumir que produzirão os mesmos efeitos em Portugal e no país de origem

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Muitos proprietários estrangeiros assumem que podem deixar livremente suas propriedades portuguesas para quem quiserem: cônjuge, parceiro, filhos, amigos, sobrinhos, sobrinhas, afilhados ou instituições. Em alguns casos, isso pode ser possível; em outros, pode haver limites legais significativos. Se a lei portuguesa se aplicar à sucessão, certos herdeiros são especialmente protegidos, como o cônjuge, descendentes ou, em alguns casos, ascendentes. Esses herdeiros podem ter direito a uma parte reservada da propriedade, que não pode ser excluída livremente por testamento. Portanto, antes de decidir quem deve herdar uma propriedade localizada em Portugal, é essencial entender qual lei se aplica, quem são os herdeiros protegidos, quanta liberdade o proprietário tem para dispor da propriedade e se algum testamento anterior deve ser respeitado, coordenado

ou revisado.

Essa coordenação é particularmente importante quando um testamento já foi feito em outro país. Essa vontade pode ser válida e relevante, mas pode nem sempre ser suficiente para evitar dificuldades práticas em Portugal. Pode ser necessário traduzir documentos, obter apostilas ou legalizações, interpretar cláusulas à luz da lei aplicável ou confirmar se o testamento estrangeiro cobre claramente a propriedade portuguesa

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Por outro lado, se um novo testamento for feito em Portugal, é essencial garantir que ele não revogue acidentalmente um testamento anterior feito no exterior. Em muitos casos, a solução mais adequada pode ser uma vontade portuguesa limitada a ativos localizados em Portugal, devidamente coordenada com o planejamento sucessório existente em outro país

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Quando um testamento em português é especialmente aconselhável?

Preparar um testamento pode ser especialmente aconselhável quando o proprietário estrangeiro possui imóveis em Portugal, mas mora no exterior, reside em Portugal enquanto mantém a nacionalidade estrangeira, tem filhos de um relacionamento anterior, é casado pela segunda vez, mora com um parceiro solteiro, deseja beneficiar alguém que não é herdeiro direto ou possui bens localizados em mais de uma jurisdição.

Essas situações são comuns entre estrangeiros que compram imóveis em Portugal. São também as situações em que a falta de planejamento pode gerar maior incerteza, maiores custos e maior risco de conflito entre familiares ou beneficiários

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Também é importante enfatizar que o planejamento sucessório não é apenas para grandes propriedades. Mesmo quando o único ativo relevante em Portugal é uma casa, um apartamento ou um terreno, pode ser essencial definir com antecedência o que deve acontecer com essa propriedade. Sem orientação adequada, os herdeiros podem ter que lidar com procedimentos demorados, documentos estrangeiros, desentendimentos familiares, custos adicionais e dificuldades no registro da propriedade herdada. Um testamento bem preparado pode simplificar esse processo e ajudar a evitar que a transferência da propriedade se torne um problema para as pessoas que o proprietário pretendia proteger

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Como o aconselhamento jurídico pode apoiar esse processo?

Nossa equipe, na LACA (Lamares, Capela & Associados), assessora clientes estrangeiros que possuem ou pretendem adquirir propriedades em Portugal e que desejam planejar a transferência desses ativos de forma clara, segura e legalmente eficaz. Essa assistência inclui analisar a situação familiar e patrimonial do cliente, identificar riscos sucessórios relevantes, coordenar com testamentos já feitos no exterior, definir as instruções testamentárias pretendidas e estabelecer contato com o notário responsável pela formalização do testamento

em Portugal.

Um advogado não substitui o notário que formaliza o testamento. O papel do advogado é preparar legalmente o processo, discutir possíveis soluções com o cliente, antecipar possíveis problemas, esclarecer os efeitos pretendidos e garantir que os desejos a serem comunicados ao notário tenham sido devidamente considerados e alinhados com a situação internacional do cliente. Cada caso deve ser avaliado individualmente. A nacionalidade, a residência habitual, o estado civil, os filhos, o regime matrimonial, os testamentos anteriores e a localização dos bens podem afetar significativamente a

solução mais adequada.

Fazer um testamento não significa apenas se preparar para o futuro, mas também proteger os desejos do proprietário, seus ativos e as pessoas que ele pretende beneficiar. Se você possui uma propriedade em Portugal e deseja garantir que ela seja transferida de acordo com seus desejos, o aconselhamento jurídico adequado pode ajudar a evitar incertezas, atrasos e disputas

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A Lamares, Capela & Associados auxilia clientes estrangeiros na preparação legal de testamentos e planejamento sucessório envolvendo ativos localizados em Portugal, com uma abordagem personalizada e orientada a soluções.