Em termos globais, uma em cada cinco pessoas é uma pessoa altamente sensível (PAS). Há pessoas na casa dos 50 ou 60 anos que nunca descobriram que são uma pessoa altamente sensível, mas quando finalmente descobrem, tudo parece começar a fazer sentido - razão pela qual se sentem aflitos por coisas aparentemente pequenas aos olhos dos outros.

Na esperança de apoiar as PAS, Paulo Ferreira publicou um novo livro, chamado "Código da Alta Sensibilidade", que partilha gratuitamente (na versão em PDF) com as pessoas que o solicitam nas suas redes sociais.

A psicóloga que esteve na origem desta terminologia foi a Dra. Elaine Aron, que nos anos 90 descobriu que a alta sensibilidade é um traço de personalidade que afeta muitas pessoas no mundo. Na verdade, de acordo com um documentário "Sensitive": The Untold Story", existem cerca de 1,4 biliões de pessoas altamente sensíveis (PAS) em todo o mundo, o que representa entre 15 e 20% de toda a população. Isto significa que na sua família a probabilidade de alguém ser PAS é enorme, o mesmo se aplica ao seu grupo de amigos, bem como aos seus colegas de trabalho, uma vez que uma em cada cinco pessoas é altamente sensível.

Quais são as principais características de uma PAS?

Há muitas características com as quais uma PAS se sentirá identificada - vamos apenas mencionar algumas delas. Para a Dra. Aron, todas as PAS têm quatro características principais em comum, que ela chamou (D.O.E.S.). DOES é o acrónimo de "profundidade de tratamento de informação", "mais mobilizados perante um estímulo", "reatividade emocional e elevada empatia" e "mais sensibilidade ao subtil".

No entanto, há mais traços de personalidade relacionados às PAS. No seu livro, Paulo menciona mais algumas características. Por exemplo, uma PAS "detesta a violência e crueldade de qualquer tipo". Provavelmente é uma PAS se não conseguir ver filmes sangrentos ou violentos sem ficar chateado ou até mesmo fisicamente esgotado ou doente". Além disso, as PAS não gostam de grandes mudanças nas suas vidas e um novo ambiente pode ser vivido com dificuldade. Do mesmo modo, mudar para uma nova casa ou viajar (mesmo que sejam apenas umas férias!) pode ser bastante difícil para si".

Além disso, fisicamente, "a sua tolerância à dor é menor". As PAS são mais sensíveis a todos os tipos de dor - dores de cabeça, dores de corpo, etc", ficam com fome rapidamente e podem sentir-se muito perturbados e zangados quando estão com fome.

Introdução VS extroversão

Apesar da maioria das PAS serem rotuladas como introvertidas, apenas cerca de 70% das PAS são introvertidas, o que significa que as restantes 30% são extrovertidas.

No entanto, quer sejam introvertidas ou extrovertidas, estas pessoas têm coisas em comum. Precisam de muito tempo sozinhas, de preferência para recarregar as suas baterias. De acordo com o livro, as PAS, por processarem todos os detalhes à sua volta, podem sentir-se esgotadas e os seus cérebros podem cansar-se facilmente, especialmente depois de trabalharem horas extra.

Cientificamente falando ...

As PAS tendem a ter especificidades cerebrais que as distinguem de outras pessoas, tais como maior número de sinapses, "neurónios-espelho" altamente ativos - a parte do cérebro que nos ajuda a empatizar com outras pessoas, como Paulo explica no seu livro.

"Para a neurociência, as PAS têm uma forma de sentir e compreender o mundo que é mediada por um sistema neurosensorial mais fino. Mais ligações neuronais, neurónios-espelho muito activos (ligado à empatia), a ínsula também chamada "sede da consciência" é também mais ativa nas pessoas hipersensíveis, assim como a amígdala (não confundir com a amígdala na garganta) está em hiperfuncionamento permanente", refere o livro

"Como resultado, os seus cérebros captam e processam mais informação por segundo e está constantemente a acumular dados e a associá-los ao que já acumulou no passado", acrescentou.

Devo contar que sou PAS?

Não é obrigatório falar aos outros sobre a sua sensibilidade. Aliás, do ponto de vista de Paulo, nem é desejável, pois é algo muito pessoal. O autor advertiu que, por exemplo, no local de trabalho, pode não haver necessidade de contar, uma vez que por vezes a elevada sensibilidade não é bem aceite socialmente.

"As pessoas mais sensíveis têm uma tendência natural para serem bondosas", mas as pessoas podem "usar a sua bondade contra si", o que gera frequentemente situações de infelicidade e ansiedade. Porém, quando "bem utilizada, temos um enorme potencial", recorda o autor.