Um novo movimento ambiental

Ao The Portugal News, o movimento ambientalista ClimAção esclarece não apoia por completo o projeto da implementação do metrobus na Cidade dos Estudantes, por questões ambientais.

O ClimAção surgiu em dezembro de 2018, a partir de “um grupo de pessoas” que já reivindicavam questões ambientais, conforme esclarece Miguel Dias, um dos fundadores do grupo. Nesse contexto, os integrantes do movimento decidiram juntar mais pessoas para a causa, através de um grupo no Facebook. Apesar da sua génese estar relacionada com as redes sociais, o ClimAção não se limita a contestar apenas a partir das redes sociais.

Segundo Miguel Dias, o movimento costuma pressionar autarquias, assim como colabora com outros grupos ambientalistas, “com enfoque nas alterações climáticas”. O grupo, que no Facebook dá pelo nome ClimAção Centro, tem como foco principal de atuação a cidade de Coimbra, apesar de já ter realizado ações na Figueira da Foz.

De momento, o grupo está a priorizar a luta contra o abate de árvores para que se prossigam com as obras do Metro Mondego. Nesse contexto, a 16 de agosto, o grupo, apesar da época de férias, conseguiu juntar “mais de uma centena de pessoas” que “estiveram num abraço aos cinco plátanos que está previsto serem abatidos”. Os plátanos situam-se na Ínsua dos Bentos, próxima à Avenida Emidio Navarro, numa rotunda.

Consequências para a cidade

Ao The Portugal News, Nuno Martins, arquiteto e membro do ClimAção, revelou que as árvores que estão para ser abatidas “são históricas”, assim como “têm contexto histórico e estão implicitamente protegidas”, numa cidade “que é património mundial da humanidade”. Segundo o arquiteto, o projeto do Metro Mondego não pode ser considerado “um programa de mobilidade”, se poderá vir a “contribuir para alterações climáticas”.

De acordo com Nuno Martins, incêndios florestais sempre existiram e sempre foram detidos pirómanos, no entanto, segundo o arquiteto, a dimensão das catástrofes causadas nunca chegavam ao nível do que se assiste atualmente. Nesse contexto, Nuno Martins acredita que em grande parte, a dimensão dos incêndios florestais se deve aos baixos níveis de humidade, que poderia ser reposta com árvores. Assim o abate de “673 árvores” contribuirá para um aumento das alterações climáticas, conforme referiu Nuno Martins ao The Portugal News.

Para além da questão ambiental, Nuno Martins afirma que os plátanos dizem respeito a uma das construções mais emblemáticas de Coimbra. O local onde os plátanos estão planados diz respeito ao que antigamente se descrevia como “a fachada da estação de comboio”, ou seja, uma avenida próxima a uma estação de comboio, no caso a Estação Nova, que no século XIX, constituía elevada importância.

O que diz a Câmara Municipal?

Assim sendo, o corte das árvores tem sido reivindicado pelo grupo, que pretende impedir o abate dos plátanos na Ínsua dos Bentos, em Coimbra. O corte das árvores insere-se no projeto do Metro Mondego, que segundo Miguel Dias, não pode ser alterado, pois a autarquia afirma que alterar o projeto seria dispendioso, o que traria prejuízos à Câmara Municipal de Coimbra. Essa mesma informação foi confirmada por fonte ligada à Câmara Municipal de Coimbra ao The Portugal News.

Miguel Dias revela ao The Portugal News que os governantes autárquicos vigentes, estavam na oposição e tinham queixas semelhantes ao ClimAção, nomeadamente na falta de esclarecimento, na medida em que pouca informação sobre o projeto era transmitida à população. Não obstante, Miguel Dias afirma ainda que em relação a certas medidas, enquanto oposição, o atual executivo deixou passar algumas medidas, a nível ambiental. No entanto, a Câmara Municipal de Coimbra disse ao The Portugal News, através de um comunicado, que “o atual executivo enquanto oposição”, utilizou vários meios a manifestar “a discordância em relação à forma como o processo decorreu”. Através das redes sociais, artigos de opinião, entre outros meios, o atual executivo denunciou as fragilidades do projeto, entre as quais “as dificuldades no acesso à informação”. A mesma fonte revela ainda que algumas das ideias do atual presidente foram aceites, enquanto outras foram ignoradas pelo antigo executivo.

O comunicado da autarquia de Coimbra revela que José Manuel Silva é “defensor das causas ambientais” e que durante o seu mandato já mostrou que o ambiente é uma das suas prioridades. Assim sendo, o Metro Mondego será uma forma de criar uma alternativa sustentável ao trânsito na cidade. A Câmara Municipal de Coimbra concorda “que os projetos deviam ter sido amplamente abertos à discussão pública”, no entanto os projetos já estão aprovados e qualquer alteração “é incompatível com os prazos impostos pelos programas de financiamento”.

Em relação ao abate de árvores, o município de Coimbra garantiu que por cada árvore cortada “serão plantadas três novas árvores” de forma a garantir o “balanço ambiental” positivo.