Ana Velho, chamada porque a advogada nomeada por José Sócrates está hospitalizada, alegou não poder defender o ex-chefe de Governo (2005-2011), mas o tribunal entendeu que não podia ser dispensada da função e deu-lhe cinco dias para contactar José Sócrates e se inteirar do processo.
Foi a segunda advogada nomeada pelo tribunal para representar o ex-líder socialista, depois de Inês Louro, a primeira a ser chamada e ex-presidente da Junta de Freguesia de Azambuja pelo PS, ter invocado a objeção de consciência por ser membro do Chega.
No final de novembro, José Sócrates nomeou José Preto como seu advogado no processo Operação Marquês, substituindo Pedro Delille que, a 4 de novembro, se demitiu da defesa do ex-primeiro-ministro após 11 anos de representação.
José Preto pretendia cinco meses e meio para se inteirar do processo, mas, a 26 de novembro de 2025, o pedido foi indeferido pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, que concedeu formalmente dez dias para a defesa se inteirar do processo e remarcou o início da instrução para 6 de janeiro.
A 3 de janeiro de 2026, José Preto informa o tribunal de que se encontra hospitalizado, enviando, dois dias depois, uma declaração hospitalar para comprovar a situação. A presidente do coletivo de juízes anunciou hoje no despacho proferido na audiência em que prorrogou a suspensão do julgamento.
Susana Seca defendeu ainda, em resposta à insistência de Ana Velho de que, dada a complexidade do processo, não está em condições de representar José Sócrates, que, uma vez que José Preto não nomeou um colega para o representar, o antigo governante tem de ser legalmente representado por um advogado nomeado pelo tribunal.
"Não é possível dispensar o patrocínio judiciário", disse, admitindo que Ana Velho poderá ser dispensada da função, a seu pedido, no final do prazo de cinco dias concedido.
Quais são as acusações?
José Sócrates, 68 anos, é acusado de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por alegadamente ter recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o resort algarvio de Vale do Lobo.
No total, são 21 os arguidos no processo, que negaram, na generalidade, a prática dos 117 crimes económico-financeiros de que são acusados.
Os crimes terão sido cometidos entre 2005 e 2014 e, no primeiro semestre deste ano, os crimes de corrupção mais antigos relacionados com Vale do Lobo poderão prescrever, segundo o tribunal.
José Sócrates e os restantes arguidos foram dispensados pelo tribunal de comparecer no julgamento, que teve início a 3 de julho de 2025, e têm estado todos ausentes nas últimas sessões.






