O Estudo Prévio do Troço Final Canalizado da Ribeira de Algés, elaborado para os Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento(SIMAS) de Oeiras e Amadora, prevê um conjunto de intervenções que visam "minimizar e controlar os riscos de inundações, assegurando também a resiliência hidráulica, estrutural e ambiental do sistema".

No documento, a que a Lusa teve acesso, as intervenções estruturais estão estimadas em cerca de 63 milhões de euros, divididos entre "obras prioritárias urgentes, justificadas por razões estruturais" e "hidráulicas" (26 milhões de euros) e "obras urgentes" (37 milhões de euros) na ribeira que nasce na Amadora, atravessa Oeiras e desagua em Lisboa.

As obras prioritárias urgentes incluem "a reabilitação e beneficiação da descarga do canal de Algés no estuário do Tejo, com troço final em vala aberta, como lagoa de desenvolvimento linear que corre a jusante da linha férrea" e a "reabilitação estrutural completa do troço entre o Parque Urbano de Miraflores e a bacia de retenção linear (vala regularizada)".

As obras urgentes incluem o "reperfilamento do troço final da bacia (troço 8) e novas obras de entrada no troço canalizado a jusante, com uma secção transversal muito maior", a duplicação do troço sob a Av. Dr. José Manuel dos Santos, a "construção de uma nova bacia de retenção linear (vala regularizada)" e a "reabilitação estrutural completa do troço entre o Parque Urbano de Miraflores e a bacia de retenção linear (vala regularizada)". Bombeiros Voluntários de Algés e "controlo de afluências indevidas", e a substituição do troço entre o cruzamento da Rua Latino Coelho e o troço contemporâneo à obra da CRIL (IC17).

Esta fase inclui ainda a "reativação do braço esquerdo da passagem hidráulica sob a linha férrea, atualmente obstruída", a "reabilitação estrutural parcial" entre o Largo Augusto Madureira e a doca de Pedrouços e a "desconexão da rede de águas pluviais que atualmente descarrega no canal de Algés, com reformulação da rede gravítica na margem direita" e um sistema elevatório de águas pluviais para descarga no rio Tejo.

"Estas soluções estruturais devem ser acompanhadas, ao longo do tempo, por medidas complementares não estruturais (intervenções de médio e longo prazo) de monitorização e alerta" e de "sensibilização da população e controlo na origem" nos territórios mais a montante da bacia hidrográfica, "que retardem e minimizem os picos de cheia", salienta o estudo.

Para além do problema das cheias, com particular impacto na Baixa de Algés, alguns dos troços canalizados do rio "encontram-se em mau estado", como comprovam colapsos como os de dezembro de 2009, 2019 e novembro de 2023.

Um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil(LNEC) de setembro de 2024 concluiu que, numa extensão de 912 metros, 57% dos troços inspeccionados estão em risco de colapso num futuro próximo.

De acordo com o estudo da Hidra, Hidráulica e Ambiente, as inundações são agravadas por um conjunto de factores, nomeadamente "o condicionamento hidráulico a jusante, por influência das marés e assoreamento da descarga no troço final", ou a "configuração topográfica da Baixa de Algés", com fraca disponibilidade de energia para a drenagem gravítica.

"Os riscos de inundação tenderão a agravar-se no futuro, caso não sejam tomadas medidas corretivas, devido, nomeadamente, aos efeitos do uso do solo e aos efeitos das alterações climáticas, em particular o agravamento das intensidades de precipitação de curta duração e a subida do nível do mar", refere.

Entre os projectos previstos, o estudo refere a Torre de Algés, um complexo residencial de 13 pisos nas imediações do mercado; o "Ocean Campus", dedicado à economia azul e ao mar, junto à doca de Pedrouços; e a requalificação urbana até à Cruz Quebrada.

A jusante da linha de caminho de ferro de Cascais, foram avaliadas duas soluções alternativas, uma com o troço final em vala aberta, no traçado atual, parte enterrado e parte a descoberto, com uma comporta para mitigar o assoreamento no final, e outra que prevê um novo troço totalmente canalizado até ao ponto de descarga, mantendo o existente, e um molhe para reduzir a sedimentação na saída.

Ambas as soluções garantem "o correto funcionamento hidráulico da zona em estudo, mesmo nos cenários de maré mais críticos". Em termos de custos, são muito semelhantes, mas os custos de exploração da vala aberta são mais vantajosos, reforçando a ligação histórica e simbólica da cidade ao Tejo e merecendo a preferência da Agência Portuguesa do Ambiente(APA).