Martins referiu que, embora o aeroporto sirva atualmente 17 milhões de passageiros, a última grande expansão estava projectada para servir apenas 6 milhões, o que sublinha o crescimento rápido e inesperado do aeroporto.

De acordo com o presidente da Turismo do Porto e Norte, este "é um aeroporto com grande atratividade, como comprovam as companhias aéreas que continuam a chegar. Sabemos agora que, sem investimento, este crescimento acabará por ter problemas, como acontece atualmente com as operações do Aeroporto de Lisboa. A melhor forma de evitar o que está a acontecer hoje em Lisboa é olhar para a frente", sublinhou.

Para Luís Pedro Martins, "olhar em frente significa agir cedo"; por isso, insistiu, é necessário agir agora e "fazer o investimento antes de estarmos a lutar contra os danos". Apelou às partes interessadas para que se empenhem em acções imediatas para garantir o futuro do aeroporto.

"O Governo também tem sido muito claro e muito frontal com a Vinci [que detém a ANA Aeroportos], afirmando que este investimento tem de ir para a frente porque é, de facto, uma infraestrutura estratégica para a região - e não apenas para o turismo. Falamos muito de turismo quando discutimos o aeroporto, mas é importante perceber que esta região é a principal exportadora do país, 40% das exportações são provenientes da região do Porto e Norte", sublinhou.

O Governo criou um grupo técnico para acompanhar a expansão do Aeroporto do Porto, que inclui, entre outros, a ANA e a Infraestruturas de Portugal, e que deverá concluir os trabalhos até 31 de dezembro.

Sobre o impacto do conflito no Médio Oriente no turismo da região, Luís Pedro Martins disse que os mercados, felizmente, "são vastos hoje".

"Não dependemos apenas de um, dois ou mesmo três mercados. Temos mercados muito maduros aqui perto, como a Alemanha, a França, o Reino Unido, a Holanda, a Polónia e o nosso mercado interno", bem como o Canadá, os Estados Unidos e o Brasil, que, acredita, "encontram em Portugal a segurança que precisam para poderem continuar a viajar".

No entanto, "da mesma forma que os nossos turistas não conseguem viajar para a região da Ásia-Pacífico - que era onde estávamos a concentrar os nossos esforços - também vão ter mais dificuldade em chegar aqui. E o objetivo que estabelecemos para 2025 poderá, talvez, ser mais difícil de atingir durante este período", reconheceu.

Luís Pedro Martins falava na apresentação da rota da Delta Air Lines, que vai ligar o Aeroporto do Porto a Nova Iorque (JFK) diariamente, sem escalas, a partir de 22 de maio.