Fonte universitária disse à Lusa que, após a reunião da Comissão Eleitoral da U.Porto, foram anunciados os candidatos por ordem de receção. São eles: Salvatore Cuzzocrea, italiano e antigo reitor da Universidade de Messina (2018-2023), bem como ex-presidente do Conselho Italiano de Reitores (2023); Lasisi Salami Lawal, nigeriano que exerce atualmente funções de professor e investigador na Universidade Federal de Tecnologia de Minna, no Botswana; Altamiro Costa Pereira, atual diretor da Faculdade de Medicina da U.Porto; Pedro Nuno Teixeira, que foi Secretário de Estado do Ensino Superior (2022 a 2024), vice-reitor da Universidade do Porto e diretor do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior; e Luís Antunes, que é diretor do Centro de Excelência em Cibersegurança e Privacidade da Universidade do Porto.

Na sua carta de candidatura, Salvatore Cuzzocrea afirma que tomou a decisão "após meses de reflexão" e na sequência do fim do seu mandato como reitor da Universidade de Messina e como presidente da Conferência dos Reitores das Universidades Italianas.

Salvatore defende o reforço do papel da U.Porto como "universidade de investigação" para se tornar "cada vez mais um centro internacional de conhecimento", apelando a uma "boa gestão dos recursos" e a um "ambiente de trabalho positivo".

O candidato Lasisi Salami Lawal defende para a U.Porto "excelência académica e sucesso dos estudantes", "investigação, inovação e transferência de conhecimento", "internacionalização e parcerias", "envolvimento social", "sustentabilidade institucional, governação e transformação digital".

Propõe um programa de excelência no ensino com "desenvolvimento do pessoal, observação pelos pares e apoio à aprendizagem mista", enquanto que, para os estudantes, propõe uma "estratégia global de retenção" com tutoria específica, "bolsas de estudo alargadas", "serviços de saúde mental" e uma auditoria de acessibilidade.

Outra prioridade do candidato nigeriano é a aprendizagem ao longo da vida, incluindo "formação contínua escalável para profissionais e antigos alunos" e "cursos de curta duração concebidos em colaboração com a indústria".

O candidato Altamiro da Costa Pereira candidata-se ao cargo de reitor da U.Porto pela terceira vez, depois das suas campanhas em 2002 e 2022, e afirma que se recandidata por considerar que "possui a experiência necessária acumulada ao longo de décadas de serviço académico".

O seu plano de ação dá ênfase à valorização dos recursos humanos. Defende a progressão na carreira e a "renovação e rejuvenescimento do pessoal através do recrutamento de pessoal a tempo inteiro ou a tempo parcial".

Para Altamiro, o próximo reitor deve promover a "simplificação administrativa e a flexibilidade organizacional", reduzir a carga burocrática, conceder maior autonomia às unidades orgânicas na gestão dos recursos humanos, financeiros e académicos e deve "planear e preparar um novo campus universitário na Área Metropolitana do Porto, capaz de responder às exigências de expansão científica, tecnológica e pedagógica das próximas décadas".

O candidato Luís Antunes diz que o atual modelo de gestão da U.Porto "está esgotado", porque funciona como uma confederação de 15 unidades orgânicas isoladas, com duplicação administrativa e fragmentação de recursos.

Propõe "quatro pilares" para criar uma "nova Universidade do Porto", constituída por quatro núcleos, mantendo cada unidade a sua identidade e autonomia administrativa e financeira, cabendo à reitoria estabelecer as prioridades de financiamento e afetação de recursos.

O "Agrupamento de Engenharia, Ciência e Tecnologia", constituído pelas Faculdades de Engenharia e de Ciências, e o "Agrupamento de Saúde e Ciências da Vida", constituído pelas Faculdades de Medicina, Farmácia, Medicina Dentária, Ciências da Nutrição e Alimentação, Desporto, Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Escola Superior de Enfermagem do Porto. Segue-se o "Grupo de Arquitetura e Artes", constituído pelas faculdades de Belas Artes e Arquitetura, e o "Grupo de Humanidades e Ciências Sociais", constituído pelas faculdades de Letras, Psicologia e Ciências da Educação, Direito e Economia.

O candidato Pedro Nuno Teixeira defende uma "governação partilhada" para a U.Porto, capaz de envolver "membros da comunidade académica, docentes, investigadores, estudantes e pessoal técnico e operacional", através da concertação e coordenação entre os vários níveis institucionais.

O ex-secretário de Estado defende que o futuro não passa pela "centralização e uniformização de estruturas", mas sim por "respostas à medida", com "apoios adaptados às necessidades específicas" de cada faculdade.

"A U.Porto deve promover uma governação partilhada em que a Reitoria actue como força mobilizadora e coordenadora de toda a Universidade, através de mecanismos claros de consulta, debate e acompanhamento dos processos estratégicos, científicos, pedagógicos e financeiros, valorizando modelos horizontais que reconheçam a diversidade de escalas, práticas e saberes existentes nas várias unidades orgânicas", lê-se no seu manifesto eleitoral.

Depois de a Comissão Eleitoral da U.Porto ter recebido 14 candidaturas ao cargo de reitor - três de Portugal e 11 do estrangeiro - e após a análise de cada uma delas pela Comissão, foram hoje anunciados os cinco candidatos definitivamente admitidos.

As audições públicas terão lugar nos dias 23 e 24 de abril, no Salão Nobre da Reitoria da U.Porto, sendo cada candidato ouvido individualmente.

Os membros do Conselho Geral reunirão na Sala do Conselho da Reitoria da U.Porto às 16h30 do dia 24 de abril para eleger o reitor que sucederá a António Sousa Pereira.