No entanto, a associação lamenta que o vidro tenha sido deixado de fora e apela a uma maior reutilização.

"Para a Zero, este é um passo importante. Há muitos anos que defendemos este sistema, desde o seu debate na Assembleia da República em 2018, quando era suposto entrar em funcionamento em 2022, e desde então sempre tentámos lutar pela sua implementação", afirma a dirigente Susana Fonseca num podcast da agência Lusa que estará disponível a partir das 8 horas de 10 de abril.

Sistema com sucesso

O sistema já existe, com sucesso, em alguns países e tem sido elogiado por organizações ambientais. Susana Fonseca, vice-presidente da Zero, aponta precisamente as provas já dadas para dizer que não há razão para que seja diferente em Portugal.

Fase de habituação

É verdade, diz, que haverá uma primeira fase confusa, mas acrescenta que o sistema é fácil de aprender, idêntico aos modelos de depósito existentes (em festivais, por exemplo), e garante que, para o universo a que se destina, "tem uma capacidade de recolha muito grande".

Aplicado apenas a produtos descartáveis

Mas nem tudo é bom. Susana Fonseca lamenta que o SDR se aplique apenas a produtos descartáveis e não à reutilização, e lamenta ainda mais que não inclua o vidro, apesar de a lei o estipular.

"Essa é uma das grandes falhas do sistema. A Zero e outras organizações ambientais em Portugal lutaram muito para manter o vidro, que era o que estava na lei de 2018", diz.

"E o vidro é um dos materiais que mais sentido faz para nós recolhermos", sublinha, lembrando que Portugal não cumpre a meta de reciclagem de vidro, um material 100% reciclável e durável, cuja matéria-prima o país importa.

Todas as razões para incluir o vidro

"Tínhamos todas as razões para incluir o vidro no sistema. Infelizmente, houve uma decisão política de não seguir o que tinha sido aprovado. O Governo decidiu alterar a lei da Assembleia da República e essa decisão prejudicou o país", sublinha.

Com o vidro no DSE, Portugal cumpriria as metas de reciclagem deste material, uma vez que as embalagens de bebidas são maioritariamente feitas de vidro (por exemplo, as garrafas de cerveja). Mas, na situação atual, lamenta, Portugal não cumprirá os objectivos.

Mas o SDR, acrescenta no podcast, teve outra "oportunidade perdida". Na área da reutilização, foi criado um sistema centrado nos descartáveis, "quando temos objectivos a cumprir". "Agora temos de criar um sistema para cumprir essas metas e isso é um erro".

Susana Fonseca aponta a dependência de Portugal das matérias-primas, diz que a resiliência económica não é posta em prática em Portugal e lamenta a falta de investimento na reutilização, que cria emprego local e mantém os produtos mais tempo na economia. E acrescenta: o Governo, que é suposto tomar decisões para o bem do país, já abandonou o vidro, um erro estratégico, e não integrou a reciclagem.

O deputado salienta que o SDR "é altamente eficaz" para o universo a que se destina, os recipientes de plástico e metal para bebidas até três litros, que deixarão de aparecer nos espaços públicos e de contaminar o ambiente.

Taxas de recolha

Nestes casos, garante, Portugal cumprirá a taxa de recolha de 90%, apesar de estes recipientes representarem uma pequena parte do universo total. Os outros, colocados nos ecopontos e nos resíduos indiferenciados, também vão precisar de soluções.

Para já, em relação aos SDR, Susana Fonseca está otimista. Diz que estes sistemas têm normalmente uma taxa de adoção muito elevada. "Transmitem a noção de que a embalagem tem valor. Porque eu já paguei por ela. E se eu não a entregar (temos algumas dúvidas se 10 cêntimos é um incentivo suficiente), se a abandonar, há sempre alguém que a valoriza."