O recente evento promovido pela Morais Leitão, em parceria com a Stinma, foi precisamente um desses momentos. Mais do que um encontro técnico, foi um sinal claro de que o setor está a entrar numa nova fase, onde o cumprimento, a transparência e a supervisão passam a ter um papel central.

A sessão de abertura colocou desde logo o tema no seu devido enquadramento. A nova arquitetura europeia de combate ao branqueamento de capitais não é apenas mais um conjunto de regras. É uma mudança estrutural na forma como o setor imobiliário é visto e regulado. As intervenções iniciais deixaram claro que o imobiliário deixou definitivamente de ser uma área periférica neste tipo de supervisão para passar a estar no centro das preocupações regulatórias europeias.

Author: Paulo Lopes;

Foi neste contexto que tive a oportunidade de participar na mesa-redonda dedicada ao impacto do pacote AML europeu no imobiliário, juntamente com Florbela Rocha, Nuno Trezentos e Patrícia Garcia, sob a moderação de Patrique Fernandes. A discussão foi direta e pragmática, refletindo aquilo que o setor já começa a sentir no terreno. As novas regras não são apenas exigentes, são transformadoras. Exigem mais estrutura interna, mais controlo, mais conhecimento do cliente e, sobretudo, uma mudança cultural dentro das organizações.

O tema do KYC, aprofundado na segunda mesa-redonda, reforçou exatamente essa ideia. Identificar, validar e acompanhar o cliente deixou de ser um procedimento administrativo para se tornar um elemento estratégico do negócio. As intervenções mostraram de forma clara que a gestão de risco no imobiliário está a evoluir rapidamente e que a capacidade de adaptação será determinante para o futuro das empresas do setor.

Author: Paulo Lopes;

O que ficou evidente ao longo de todo o evento é que já não estamos a falar de uma tendência futura. Estamos a falar de uma realidade presente. A supervisão será mais exigente, mais integrada e mais europeia. E isso significa que o setor terá de responder com maior profissionalização, melhores processos e uma clara aposta na transparência.

Houve também um elemento particularmente relevante que atravessou todas as intervenções: a importância da colaboração. Entre entidades públicas, operadores privados, consultores e reguladores. Nenhuma empresa, por mais preparada que esteja, conseguirá responder isoladamente a este novo enquadramento. O futuro passará inevitavelmente por uma maior partilha de conhecimento e por uma aproximação entre todos os intervenientes do setor.

Author: Paulo Lopes;

A qualidade da moderação ao longo das diferentes sessões permitiu que a discussão se mantivesse focada, dinâmica e relevante. E os contributos apresentados trouxeram dados e perspetivas que ajudaram a traduzir um tema complexo em algo concreto e aplicável à realidade das empresas.

No final, a principal conclusão é simples, mas exigente. O setor imobiliário está a profissionalizar-se a um novo nível. E isso é positivo. Não apenas porque responde às exigências regulatórias, mas porque reforça a confiança no mercado. Num setor onde a confiança é essencial, este pode ser um dos maiores ganhos desta nova fase.

O desafio agora não está em compreender as regras, mas em integrá-las no dia a dia. Porque mais do que cumprir, será necessário evoluir.