Em comunicado, a Beta Cinema revela que "O Homem que Roubou Portugal" é uma produção da empresa britânica EMU Films, baseada no livro "The Man Who Stole Portugal", de Murray Teigh Bloom, já editado em Portugal, com filmagens previstas para Portugal, Reino Unido e África do Sul.

"O Homem que Roubou Portugal" é apresentado como um filme de assalto de época com humor negro, cuja história transita entre "o glamour e a agitação política da Lisboa dos anos 20, a Angola colonial e o mundo das tipografias londrinas".

O elenco

O elenco é encabeçado pelo ator britânico James Nelson Joyce, no papel de Artur Alves dos Reis (1896-1955), e inclui ainda Richard E. Grant, Dominic West, Joel Fry, Herbert Nordrum, Kim Bodnia e Nia Towle, entre outros.

O filme "proporcionará ao público a emoção de um grande filme de assaltos, mas com uma história verdadeira tão escandalosa que é difícil acreditar que tenha realmente acontecido. É divertido, elegante e de ritmo acelerado", afirmou o produtor Michael Elliott num comunicado de imprensa.

Quem é Artur Alves dos Reis?

Artur Alves dos Reis ficou famoso por cometer várias fraudes, nomeadamente falsificar notas de 500 escudos, contratos, cheques, assinaturas e diplomas, para acumular uma fortuna.

Fez-se passar por engenheiro em Angola, falsificou assinaturas de administradores do Banco de Portugal e convenceu uma casa impressora de notas inglesa a imprimir 200.000 notas de 500 escudos, que circularam ilegalmente em Portugal e Inglaterra. Este dinheiro foi utilizado para fundar o Banco de Angola e a Metrópole em 1925.

"Fraude, falsificação e peculato foram três crimes que Alves Reis cometeu para acumular fortuna", refere a biografia disponível online no Banco de Portugal, lembrando que o vigarista foi condenado em 1930 e libertado da prisão em 1945.

"Durante o julgamento, afirmou que o seu objetivo era apenas o desenvolvimento de Angola. Morreu a 9 de julho de 1955, aos 58 anos, sem dinheiro, na sua casa em Lisboa", refere o Banco de Portugal.

Segundo o produtor executivo do filme, Terry Smith (do Moviedrome), Alves dos Reis era "um génio do crime que percebeu que forjar um contrato para imprimir notas era infinitamente mais fácil do que forjar as próprias notas".

A história é também "uma notável premonição: As ondas de choque que causou na economia portuguesa e o subsequente colapso político ecoam na emissão de dinheiro pelos bancos centrais durante a crise financeira de 2008/2009 e durante a pandemia de Covid-19", afirmou Terry Smith.

O projeto desta longa-metragem vai ser apresentado no "Film Market", que começa no dia 12 e é um dos eventos paralelos ao Festival de Cinema de Cannes.