Às condições meteorológicas severas na pista de Santa Catarina, marcadas por fortes rajadas de vento, juntaram-se os efeitos de uma greve geral do sector dos transportes convocada para quarta-feira, 3 de junho.

Esta dupla perturbação ocorre num dos períodos de maior afluência turística e de mobilidade do calendário regional, coincidindo com a véspera do feriado nacional de Corpus Christi (4 de junho) e com o fim de semana prolongado.

Os registos oficiais da estação meteorológica da EMAS mostravam, ao início da manhã, uma velocidade média do vento de cerca de 26,6 km/h do quadrante norte, com rajadas que atingiram 56 km/h na hora anterior e um pico máximo de 72 km/h registado desde a meia-noite, com a intensidade a soprar de leste nos períodos de maior turbulência.

Os primeiros sinais de alerta começaram a surgir na segunda-feira, com o desvio de um voo da GetJet de Vilnius e o cancelamento de um voo da SATA Air Açores de Ponta Delgada, prenunciando condições atmosféricas que se agravariam na madrugada de terça-feira, com rajadas registadas de 74 km/h.

Durante a manhã de quarta-feira, o padrão de cancelamentos estabilizou nos horários de partidas e chegadas, afectando quase todos os operadores.

Apesar de a maioria das aeronaves ainda poderem aproximar-se e aterrar na pista da Madeira, a lista de voos cancelados inclui os voos da easyJet de e para o Porto e Lisboa, de manhã e à tarde, bem como a rota de Zurique operada pela Edelweiss Air.

A transportadora de baixo custo Transavia também teve de cancelar voos para Paris e Nantes, enquanto a Jet2 cancelou o seu voo de Manchester.

Este cenário meteorológico stressante é agravado pela greve geral. Em resposta ao protesto e na sequência de negociações sindicais, a TAP Air Portugal activou um horário mínimo de serviço, garantindo apenas dois voos diários de ida e volta entre Portugal Continental e o arquipélago da Madeira.

A drástica redução da capacidade de transporte e a falta de informação em tempo real sobre outras rotas operadas pela transportadora de bandeira agravaram a insegurança nos aeroportos, motivando uma tomada de posição preliminar do Governo Regional, que alertou o Ministério do Trabalho para o isolamento dos habitantes das ilhas, privados de alternativas de transporte terrestre.

Perante esta situação de contingência mista, a ANA - Aeroportos de Portugal emitiu um aviso aos viajantes, recomendando que verifiquem o estado dos voos junto das respectivas companhias aéreas antes de se deslocarem ao terminal.

A empresa gestora do aeroporto alerta ainda para a probabilidade de se verificarem tempos de espera acrescidos e constrangimentos significativos no controlo de fronteiras para as partidas internacionais com origem fora da União Europeia, aconselhando os passageiros destas rotas a chegarem à instalação com uma antecedência significativa em relação ao habitual.