Em declarações aos jornalistas à chegada entre os líderes da União Europeia (UE) e os seus homólogos dos Balcãs Ocidentais, na cidade costeira de Tivat, no Montenegro, o primeiro-ministro sublinhou que os europeus e os países da região estão a seguir um "caminho de paz e desenvolvimento", fazendo um paralelo com a eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU.

"É essa a marca que queremos levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, cuja eleição quero felicitar mais uma vez, do ponto de vista do envolvimento de todos os órgãos de soberania e da nossa diplomacia", afirmou.

Reconhecimento do país

Luís Montenegro considerou que a eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU, para um mandato de dois anos, é um reconhecimento do papel do país "como ator na cena internacional, como promotor da resolução de conflitos, da promoção da dignidade humana e do desenvolvimento económico".

"Estes são os pilares fundamentais que levaremos por diante a partir de janeiro de 2027 - assumiremos a presidência do Conselho de Segurança nessa altura - para que os possamos refletir em todas as nossas áreas de intervenção e também na UE", afirmou.

Felicitar os portugueses

O primeiro-ministro sublinhou que "o povo português merece os parabéns e deve estar muito sintonizado com este reconhecimento", considerando que "talvez em Portugal não se esteja a dar o devido valor à eleição para o Conselho de Segurança".

"Se calhar seria mais valorizada se não tivéssemos ganho as eleições, e à primeira volta, sendo o país mais votado, mas, independentemente disso, o que me parece importante é que uma nação com quase nove séculos de história continue a ser uma nação que aproxima os povos, que promove o bem-estar e o reconhecimento dos direitos humanos", sublinhou.

Participação nas grandes questões mundiais

Montenegro acrescentou que Portugal "promove e cultiva uma grande participação nas grandes questões que o mundo enfrenta atualmente, seja a sustentabilidade ambiental", através do aproveitamento dos recursos naturais e do espaço marítimo nacional, seja a "resolução de conflitos".

"E as Nações Unidas precisam deste reforço de valor para se poderem renovar, regenerar para um novo ciclo que possa ser mais eficiente e consequente do que tem sido até aqui", sublinhou.

A eleição de Portugal

Portugal foi eleito a 4 de junho como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, liderando a votação no grupo da Europa Ocidental e Outros Estados com 134 votos, a par da Áustria, enquanto a Alemanha sofreu uma derrota sem precedentes.

Com este resultado, Portugal ultrapassou os 127 votos necessários para uma eleição, o que corresponde a dois terços dos eleitores.

O mandato de Portugal e dos outros Estados Membros eleitos inicia-se a 1 de janeiro de 2027 e prolonga-se por dois anos.

Portugal, que se candidatou sob o lema "Prevenção, Parceria, Proteção", já fez parte do Conselho de Segurança durante os mandatos de 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012. Portugal foi eleito sempre que se candidatou.

O Conselho de Segurança é composto por 15 membros, cinco dos quais são membros permanentes com poder de veto - os Estados Unidos, a Rússia, a China, o Reino Unido e a França. Os restantes 10 membros não permanentes cumprem mandatos de dois anos, sendo cinco eleitos anualmente de acordo com a distribuição geográfica.