Num comunicado de imprensa, a ULS explicou que esta equipa, criada no final de maio de 2021, «tem garantido a prestação de cuidados de saúde mental no âmbito de uma intervenção multidisciplinar que aproxima os cuidados especializados dos locais onde as pessoas vivem, trabalham e interagem».

«Esta proximidade permite-nos compreender melhor cada utente no seu contexto familiar, social e comunitário, identificar sinais precoces de descompensação e construir planos de apoio mais adaptados às necessidades reais de cada pessoa», assegurou a ULS.

A assistência prestada pela equipa de Ourém (distrito de Santarém) foi reforçada em 2022 com visitas ao domicílio, «permitindo-nos acompanhar pessoas com maior fragilidade clínica ou social ou com dificuldades de locomoção, reforçar a adesão terapêutica, apoiar famílias e cuidadores e intervir mais rapidamente em situações de maior risco ou vulnerabilidade».

Desde 2021, foram também registadas 278 hospitalizações de utentes do município na área da Psiquiatria.

Em Ourém, esta equipa, que inclui psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais, funciona cinco dias por semana.

«O apoio inclui a definição de um plano de cuidados individual e a atribuição de um terapeuta de referência, permitindo uma resposta mais próxima e contínua, adaptada às necessidades de cada utilizador.»

A ULS esclareceu que a intervenção junto dos utentes «é desenvolvida em coordenação com os cuidados de saúde primários em Ourém e com as instituições locais, o município, as estruturas sociais e os projetos comunitários».

«Esta colaboração permite-nos responder não só às necessidades clínicas, mas também aos fatores sociais, familiares e comunitários que influenciam a saúde mental, num quadro de trabalho em rede e de responsabilidade partilhada.»

Citado no comunicado, o coordenador da Equipa Comunitária de Saúde Mental para a População Adulta de Ourém, Jorge Carvalheiro, salientou que «estes cinco anos mostram que a saúde mental não pode limitar-se ao hospital», uma vez que muitas das pessoas assistidas «necessitam não só de cuidados clínicos convencionais, mas também de continuidade, presença, uma relação terapêutica e coordenação com a família e a comunidade».

Quando questionado pela agência noticiosa Lusa sobre o trabalho neste domínio resultante do impacto da tempestade Kristin, que afetou gravemente o município em janeiro, Jorge Carvalheiro afirmou que a equipa «tem habitualmente uma ligação muito estreita com as estruturas de Ação Social» da Câmara Municipal.

«O que fizemos foi responder, o mais rapidamente possível, a todas as encaminhadas que recebemos» no âmbito do Radar Social para situações de vulnerabilidade.

Segundo o psiquiatra, «houve um ou dois casos de pessoas que tinham uma doença mental e não estavam a ser tratadas, e que depois viram as suas casas gravemente afetadas, e foi nessa altura que se identificou que tinham uma patologia», tendo começado a receber apoio.

Houve também casos de pessoas que «já tinham alguma predisposição» e, após a tempestade, ficaram muito mais ansiosas e com muito medo de que as coisas pudessem voltar a acontecer.»

«É importante referir a resiliência que sentimos por parte da maioria da população de Ourém, o apoio mútuo. Ajudaram-se uns aos outros a colocar as telhas e as lonas. Isto ajudou-os a não se sentirem desamparados», observou Jorge Carvalheiro.

O Radar Social tem como objetivo identificar e apoiar pessoas em situações vulneráveis.

Ourém faz parte da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria, exceto no que diz respeito à saúde mental. Nesta área, continua a fazer parte da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo, o antigo Centro Hospitalar a que o município pertencia.