Descobertas na África Central, as duas espécies de orquídeas recentemente identificadas — anteriormente classificadas como ameaçadas, principalmente devido à destruição do habitat — ajudaram os cientistas a «compreender melhor como as plantas tropicais interagem com os seus polinizadores».
O estudo é coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. As espécies (do género Rhipidoglossum) foram identificadas através de trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica.
«Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo invulgar: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso, traças noturnas, um comportamento raramente documentado», afirmou a UC.
Com estas observações, conseguiram “confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.”
Os investigadores concluíram que a biodiversidade tropical não é apenas «mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas», e que «a falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e a proteger estas espécies antes que desapareçam».
Arthur Macedo, doutorando do CFE, salientou que, “no grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registro pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência”.
«Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com as maiores lacunas de informação», alertou.
Neste contexto, considerou que os estudos que combinam coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional «são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam».
Foram também registadas interações entre grilos e flores de orquídeas, «um fenómeno extremamente raro e mal documentado» que «sugere que estes insetos podem desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente».
O investigador do CFE, João Farminhão, afirmou que «a grande diversidade floral do Rhipidoglossum sugere muitas interações desconhecidas».
«Quem sabe se os grilos não serão os principais polinizadores de algumas espécies da flora da África Tropical?», questionou.









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