Em declarações à agência Lusa, o presidente da LPCC-NRN adiantou que os diretores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e do Instituto Português de Oncologia do Porto, bem como o médico e investigador Sobrinho Simões, estão entre os convidados confirmados.

"Serão conversas muito simples, muito fáceis de serem entendidas pela população. O objetivo é dar ao Serviço Nacional de Saúde, na área da oncologia, ferramentas para harmonizar os cuidados oncológicos, tentando reforçar aquilo que é extremamente importante: a proximidade e a construção de pontes, de ligações entre os profissionais de saúde, os doentes, os cuidadores e sobretudo a comunidade", disse Vítor Veloso.

Considerando que "falta uma comunicação positiva", mas compreendendo que os profissionais de saúde "têm uma carga de trabalho excessiva e uma carga burocrática dramática", o responsável aproveitou para sugerir o recurso à inteligência artificial.

"Há demasiada papelada, a burocracia é imensa, os médicos passam a vida no computador, os enfermeiros passam a vida no computador e muito pouco tempo com o doente. Acho que a inteligência artificial pode ser posta ao serviço daquilo que é bom e importante, como libertar os profissionais, dando-lhes a possibilidade de olhar para o doente, falar com ele, vê-lo e sentir o doente", disse.

Em declarações à Lusa, Vítor Veloso defendeu ainda a criação de uma disciplina de comunicação nos cursos de licenciatura e pós-graduação em medicina e saúde.

"Se houver uma comunicação positiva - não é preciso uma conversa longa, um simples gesto de duas ou três palavras, perguntar como está a família, de onde vem, como foi a viagem, se está bem-disposto - cria-se empatia. Ao criar empatia, o doente aceita tudo mais facilmente e o tratamento corre muito melhor."

O projeto LigAções terá atividades de alfabetização e conscientização do público todos os meses.

Para além desta apresentação, na quarta-feira, a LPCC-NRN vai atribuir16 bolsas de investigação no valor de 234 mil euros a jovens investigadores com projectos na área da oncologia e vai realizar, na Praça D. João I, junto ao teatro Rivoli, uma atividade física organizada pelo Centro de Desporto da Universidade do Porto, um 'showcooking' de comida saudável com a chef Tia Cátia e uma corrente humana que servirá para divulgar as 14 diretivas da nova edição do Código Europeu Contra o Cancro, uma obra da Agência Internacional de Investigação do Cancro (IARC).

"Os 14 princípios serão simbolizados por 14 círculos de cores diferentes que se unem num único cordão, num gesto de solidariedade e reforço da importância da prevenção e do diagnóstico precoce", descreve o grupo.

Neste sentido, e lembrando que "a prevenção do cancro assenta em mudanças acessíveis no quotidiano, mas exige também políticas públicas eficazes que as tornem possíveis e sustentáveis", Vítor Veloso destacou este Código Europeu porque a nova edição "enquadra a prevenção como uma responsabilidade colectiva e uma prioridade de saúde pública".

"Inclui, pela primeira vez, recomendações políticas concretas para os decisores políticos. O objetivo é reforçar a proteção dos cidadãos e reduzir o impacto do cancro em toda a Europa", concluiu.