Este programa do cinema sediado no Porto, que já chegou a 83 escolas da área metropolitana do Porto desde 2022, decorrerá de setembro de 2026 a junho de 2028.

Serão exibidos 59 filmes, organizados em quatro eixos temáticos: «Quem (Re)Inventou o Cinema», que explora a história da inovação cinematográfica; «Onde Queremos Viver», que aborda temas como a habitação, a ecologia, a justiça social e as questões de género; «Diário de Viagem», que aborda percursos físicos e emocionais; e «Monstros, Mitos e Criaturas», que se centra no reino da fantasia e da imaginação.

O diretor criativo do Batalha, Guilherme Blanc, explicou à Lusa que a programação se centra em temas que dizem respeito aos adultos e que provavelmente também interessam aos jovens, com o objetivo de alargar o debate suscitado no cinema à sala de aula.

«Estamos a centrar-nos no que é muito importante para nós: por um lado, estimular o pensamento crítico através do cinema, discutindo questões relevantes para o nosso tempo e, por outro, utilizar estes debates para fomentar uma ligação com o cinema que aumente o prazer e a apreciação da sétima arte», esclareceu, na esperança de que o programa ajude a «criar uma cultura de cinefilia» entre crianças e adolescentes.

Desde o seu lançamento em 2022, o programa já levou 16 797 alunos a Batalha, ao longo de 131 exibições. Este número reflete o trabalho realizado com as instituições de ensino, incluindo diretores escolares, professores e até associações de pais, que demonstraram abertura e vontade de «abordar temas pedagógicos e científicos através do cinema».

«Dedicámos um grande esforço preparatório à construção de relações com as escolas. Este trabalho de mediação é crucial; sem ele, seria impossível desenvolver um programa escolar que fosse compreendido, eficaz e bem recebido», acrescentou.

Dos 59 filmes, 15% são produções portuguesas e 49% foram realizados por mulheres.

A equipa de curadoria foi composta pela cineasta Alexandra Ramires, pela programadora e investigadora Cátia Rodrigues, pela criadora e intérprete Dori Nigro e pelo crítico de cinema João Araújo.

Alexandra Ramires revelou à Lusa que o «exercício complexo» de conceber este programa resultou numa seleção de obras de cineastas como Alice Guy-Blaché, Manoel de Oliveira, Abbas Kiarostami, Leonor Teles e Agnès Varda.

«Foi um exercício maravilhoso de realizar com mais três pessoas. O diálogo desempenhou um papel fundamental para que isto fosse possível, uma vez que cada um de nós trouxe perspetivas e experiências muito diferentes; discutimos filmes que anteriormente não tínhamos considerado para um público escolar, mas que apresentavam um grande potencial», partilhou a cineasta.

O objetivo era selecionar filmes com «perspetivas que nem sempre são óbvias», de modo a suscitar a discussão e «tentar compreender o valor que cada filme oferecia enquanto ferramenta educativa».

O Programa Escolar destina-se a todos os níveis de ensino, desde a pré-escola até ao ensino secundário. As sessões decorrem de quarta a sexta-feira, às 10h15; são gratuitas para as escolas do município do Porto, enquanto os participantes de outras instituições de ensino pagam uma taxa de 1,50 €.