O estudo LabCom, no âmbito do ODEPOL — Observatório de Desinformação Política, monitoriza a desinformação relacionada com a presença digital de pré-candidatos e candidatos nas plataformas de redes sociais mais populares em Portugal (Facebook, Instagram, X, TikTok, Threads e YouTube) e começou em 17 de novembro de 2025, dia do primeiro debate televisivo entre André Ventura e António José Seguro.
De acordo com os pesquisadores João Canavilhas e Branco Di Fátima, o conteúdo de desinformação atingiu um total de 7.712.000 visualizações nas redes sociais (toda vez que o conteúdo aparece para os usuários, incluindo repetições) e gerou 324.555 reações, 51.922 comentários e 24.543 compartilhamentos.
De acordo com João Canavilhas, coordenador do LabCom, e Branco Di Fátima, jornalista e pesquisador do LabCom, esses números “mostram um alto nível de engajamento do usuário com conteúdo de desinformação” e um “impacto significativo no espaço público digital”.
Em quatro semanas de pré-campanha e durante a campanha eleitoral, os pesquisadores identificaram 14 casos de desinformação, com André Ventura, o candidato apoiado pelo Chega, responsável por 85,7% dos casos identificados, enquanto os demais foram de pré-candidatos que não foram aceitos pelo Tribunal Constitucional (TC), como Joana Amaral Dias.
O vídeo tem sido o formato preferido para a desinformação, usado em 71,4% dos casos, em comparação com as fotografias, que representaram 28,6%.
Por tipo de desinformação, ela é dividida em desacreditar a mídia e jornalistas (42,9%), conteúdo manipulado (28,6%), falsificação de informações (21,4%) e uso de contexto falso (7,1%).
A plataforma X foi responsável por 92,9% dos casos, o TikTok 21% e o Threads 28,6%.
Um dos casos com maior impacto foi um vídeo compartilhado pelo candidato presidencial André Ventura em 1º de janeiro, de acordo com o relatório do LabCom, que foi visto mais de um milhão de vezes, principalmente no Instagram.
A conta do líder do Chega compartilhou um vídeo das redes sociais do jornal espanhol OK Diário, mostrando um incêndio na Igreja Vondelkerk, em Amsterdã, na véspera de Ano Novo, com a legenda “Islamização da Europa”.
“O vídeo original afirma que o incêndio começou depois que 'vários imigrantes jogaram fogos de artifício' no prédio (que deixou de sediar cerimônias religiosas em 1977 e funcionou como um centro cultural)”, mas Ventura acrescenta a expressão “Islamização da Europa” à publicação, de acordo com o relatório dos pesquisadores.
O que Ventura fez, acrescentaram, foi estabelecer “uma ligação direta entre o incidente e a comunidade muçulmana”.
O resultado foi impressionante: 1.028.534 visualizações, 40.250 comentários, 6.197 comentários, 3.487 compartilhamentos e um alcance de 436.167 (número estimado de usuários únicos que visualizaram o conteúdo pelo menos uma vez).
Os pesquisadores enfatizaram que este caso “exemplifica como a introdução de um quadro ideológico pode amplificar narrativas informativas” e acelerar sua disseminação na esfera pública.
Isso reforça “a necessidade de monitoramento contínuo em todo o processo eleitoral”.
O jornal OK Diário não fez nenhuma conexão com a comunidade muçulmana ou qualquer outra comunidade e foi posteriormente editado após ser criticado pelos leitores.







