Em declarações à Lusa à margem de uma reunião com líderes da delegação algarvia do INEM, em Loulé, José Manuel Pureza, considerou que, se for adiante, a medida é “pura irresponsabilidade”, ainda mais na única região do país que, durante três meses, triplica a sua população residente.

“[...], Portanto, é pura irresponsabilidade acabar com esse serviço, tirar-lhe a autonomia, tirar a própria existência, não faz sentido, é pura irresponsabilidade”, frisou a coordenadora do BE, pedindo à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que esclareça o que vai acontecer.

O novo edifício da delegação regional algarvia do INEM, representando um investimento de aproximadamente dois milhões de euros, foi inaugurado em maio de 2024, numa cerimónia com a presença de um governante.

Call center único

A Comissão Técnica Independente (CTI) para a reestruturação do INEM propôs a criação de um único call center combinando o Centro de Orientação de Pacientes Urgentes (CODU) e o SNS24, com três centros regionais em Lisboa,

Porto e Coimbra.

Assim, à luz do parecer desta comissão, a delegação regional do Algarve seria excluída do organograma do futuro Serviço Público de Emergência Médica e Pré-Hospitalar no âmbito da proposta de reestruturação do Serviço Médico de Emergência.

“Esta instituição [INEM] teve um momento, que foi em 2012, na época da 'troika', quando sua autonomia foi perdida, ela a recuperou em 2023 e agora o relatório da Comissão Técnica Independente [...] ignora a existência desse serviço no Algarve e, portanto, o que resulta desse relatório parece ser um retorno a uma situação em que o INEM Algarve não existia de forma autônoma”, afirmou.

“Absolutamente inaceitável”

Considerando que a possível extinção da delegação do INEM no Algarve é “absolutamente inaceitável”, José Manuel Pureza acrescentou que a medida seria um “golpe muito forte” para o setor da saúde na região, que já enfrenta

problemas estruturais.

“[...] Sabemos muito bem que a promessa do Hospital do Algarve é uma promessa que é sempre adiada, por outro lado, até mesmo a emergência médica [...] enfrenta uma falta de recursos nos estabelecimentos hospitalares existentes nesta parte do país e, portanto, muitas vezes as pessoas precisam ser enviadas para Lisboa para poderem receber os cuidados clínicos necessários e, portanto, há um grande 'déficit' na provisão, na garantia, na segurança, é, na área da saúde, nesse território do país”, ressaltou.

Uma questão que precisa ser resolvida

Para o coordenador do BE, esta é uma “questão de política nacional que precisa ser resolvida com coragem”, e o partido fará “o que for necessário para que isso aconteça”, embora ainda não tenha havido nenhum anúncio formal sobre a extinção desse serviço

.

“Portanto, o Bloco está aqui para dizer à Ministra da Saúde que não se atreva a seguir o que está afirmado no relatório, porque isso é um ataque contra a segurança das pessoas no Algarve, contra o seu direito à saúde, não pode ser”, argumentou.

Apelo ao Ministro da Saúde

José Manuel Pureza aproveitou a oportunidade para pedir ao Ministro da Saúde que esclareça rapidamente o que será feito em relação à delegação algarvia do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), pois esta situação não pode ficar no

limbo.

“[...] É certo que a reestruturação do serviço nacional de emergência médica deve levar o tempo necessário para que as coisas sejam feitas de forma cuidadosa e madura, mas há, digamos, um alarme criado legitimamente na população do Rio Grande do Sul que precisa ser apaziguado

rapidamente”, concluiu.

O edifício regional do INEM em Loulé inclui um centro de treinamento, o Centro de Orientação de Pacientes Urgentes (CODU), escritórios regionais de coordenação e enfermagem, apoio logístico e instalações operacionais.

O edifício faz parte da Cidadela de Segurança e Proteção Civil de Loulé, onde se concentram a sede do Corpo de Bombeiros Municipal, o Comando Regional de Emergência e Proteção Civil (CREPC) e o heliporto municipal, uma das bases dos helicópteros do INEM.