“No momento, temos apenas o apoio da Finabrantes, que chega a 5.600 euros e, com isso, não podemos realizar totalmente o programa Festa do Futuro. Por isso, iniciamos esta campanha de angariação de fundos”, disse Carolina Serrão, presidente da associação cultural Além Mundus, promotora do evento, à agência
noticiosa Lusa.A campanha de financiamento coletivo, lançada na plataforma PPL, visa angariar aproximadamente 5.000 euros para financiar a componente musical do festival, marcada para os dias 1 e 2 de agosto na vila de Souto, no norte do município de Abrantes, distrito de Santarém.
Criado em 2024 pela associação Além Mundus, o Festival do Futuro se apresenta como um festival comunitário que reúne cultura, arte, reflexão ambiental e participação cidadã, envolvendo moradores, associações e agentes culturais da região na construção do programa.
Depois de uma primeira edição dedicada ao tema “Coletivo” e uma segunda focada em “Floresta”, o tema deste ano será “Água”.
De acordo com Carolina Serrão, a perda de apoios anteriormente concedidos por entidades públicas, na sequência de mudanças nos modelos de financiamento, deixou a organização dependente do apoio municipal obtido através do programa Finabrantes.
“Vários subsídios fracassaram e ficamos com fundos que cobrem apenas parte da programação deste ano”, disse ela.
O organizador explicou que os shows e os custos associados ao aluguel de equipamentos de som e iluminação são as principais despesas da iniciativa.
“A maioria da programação, especialmente a música, está em risco, pois é a maior despesa”, afirmou.
De acordo com a organização, o apoio municipal já garantiu a realização de várias iniciativas, como apresentações de teatro e dança, workshops, passeios temáticos, um festival de curtas-metragens, uma exposição dedicada às tempestades que afetaram o país e a criação de um mural comunitário sobre o tema da água.
“Se todo mundo doar um pouco, todo mundo doa dentro de suas possibilidades, e podemos alcançar os 5.000 euros que precisamos para essa parte do programa musical”, afirmou Carolina Serrão.
Sem os fundos perdidos, a organização pode ser forçada a reduzir significativamente o programa planejado, ela admitiu, alertando sobre o impacto que isso teria na dinâmica local.
“Sem música, teremos menos pessoas e, se tivermos menos pessoas, todos serão prejudicados”, afirmou.
A organização considera que o festival também tem um impacto econômico significativo na vila de Souto e nas localidades vizinhas, envolvendo associações locais, comerciantes, artesãos e pequenos produtores.
Este ano, a iniciativa incluirá mais uma vez uma feira de artesanato e artigos usados, com cerca de vinte expositores, além da participação de várias associações locais.
A edição de 2026 promoverá atividades que reflitam sobre eventos climáticos extremos, recursos hídricos e território.
“Teremos uma exposição sobre a tempestade Kristin e as tempestades que devastaram o centro do país. Falaremos sobre água, inundações, a barragem de Castelo de Bode e refletiremos sobre todas essas questões”, acrescentou.
Para Carolina Serrão, o festival é visto como um instrumento para revitalizar os territórios do interior.
“Nossa ideia é trabalhar no interior, revitalizar essa área, trazer pessoas para cá e mostrar que o interior também merece iniciativas, eventos e vida”, declarou.
A campanha de arrecadação de fundos vai até 13 de julho e já ultrapassou €2.100, cerca de 39% da meta definida.
O programa da 3ª edição será apresentado no dia 19 de julho na vila de Matagosa, freguesia de Carvalhal, também no município de Abrantes.









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