A Inspeção-Geral das Actividades em Saúde(IGAS) iniciou em março deste ano uma auditoria à assistência prestada aos estrangeiros não residentes nos serviços de urgência da Unidade Local de Saúde de São José. O relatório foi enviado ao Gabinete do Ministro da Saúde no dia 30 de outubro e encontra-se em fase de homologação.
De acordo com o relatório, no período de 2023-2024 foram atendidas nos serviços de urgência um total de 27.703 pessoas, correspondendo a 31.803 episódios. A taxa de crescimento de pessoas assistidas foi de 16,5%, diz a IGAS, referindo que cerca de metade destas pessoas estavam abrangidas por acordos bilaterais que prevêem proteção em caso de doença.
Em 2023, foram registados 14.513 episódios de emergência e, em 2024, 14.513, um aumento de 19,1%.
Nascimentos
O relatório revela um aumento de 126% no número de partos de mulheres estrangeiras não residentes de 2023 para 2024, em comparação com o aumento de 17,3% registado para todos os utentes do serviço de urgência de obstetrícia e ginecologia.
Estas utentes representaram cerca de 21,3% do aumento total de episódios envolvendo partos. "Apesar de constituírem uma minoria do total de utentes, contribuíram para o crescimento global", salientam as conclusões do relatório da IGAS solicitado pela agência Lusa.
De acordo com o documento, noticiado pelo jornal Público, o peso relativo dos utentes estrangeiros não residentes quase duplicou, passando de 2,9% para 5,6% do total de episódios de parto resultantes de internamentos nas urgências.
"Esta evolução indica não só um aumento absoluto, mas também uma taxa de crescimento mais rápida do que a da população total servida", sublinha.
A IGAS compilou um ranking "Top 5" das regiões mais representadas em termos de número de episódios, revelando que, em 2023, 39,1% correspondiam a pessoas da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela) e da Europa Ocidental (Alemanha, Áustria, Bélgica, França, Luxemburgo, Holanda e Suíça), com uma diminuição para 37,7% em 2024.
Nos serviços de urgência gerais, polivalentes e pediátricos, as regiões da América do Sul e da Europa Ocidental ocuparam os dois primeiros lugares em ambos os anos.
Nos serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia, a região do Sul da Ásia (Afeganistão, Bangladesh, Burundi, Índia, Irão, Nepal, Paquistão e Sri Lanka) ocupou o primeiro lugar em ambos os anos.
Cuidados pediátricos
Em 2024, a região da Ásia do Sul ocupava o quinto lugar nos cuidados de emergência pediátricos, de acordo com a IGAS, que observa que esta região tem uma menor representação nos serviços de emergência gerais polivalentes e pediátricos.
A IGAS explica que a procura "menos significativa" de urgências pediátricas por parte de cidadãos do Sul da Ásia, ao contrário das urgências de obstetrícia e ginecologia, se deve ao facto de, de acordo com as regras de atribuição da nacionalidade portuguesa, os bebés nascidos de mães desta região serem cidadãos portugueses e, por isso, não estarem incluídos no âmbito da auditoria.
Neste período de dois anos, as pessoas atendidas no serviço de urgência polivalente geral que não residiam em Portugal eram maioritariamente provenientes do Brasil, França, Estados Unidos da América e Alemanha.
No serviço de urgência pediátrica, os países mais representados foram o Brasil, França, São Tomé e Príncipe, Angola e Espanha.
No serviço de urgência de obstetrícia e ginecologia, para além dos casos recorrentes do Brasil, São Tomé e Príncipe e Angola, o Bangladesh também apareceu em comum nos dois anos.
O Bangladesh ficou em segundo lugar no ranking de obstetrícia e ginecologia tanto em 2023 como em 2024, mas nos serviços de urgência pediátrica, apareceu em 11º lugar em ambos os anos.
O Brasil destacou-se como o país mais representado nos três serviços de emergência, permanecendo em primeiro lugar no geral.
"Doença"
O motivo de consulta "doença" foi o que mais levou os utentes estrangeiros não residentes aos serviços de urgência polivalente geral e pediátrica (mais de 70%).
O motivo de deslocação foi "acidente pessoal/queda", com cerca de 12% em 2023 e 10% em 2024 nos serviços de urgência polivalente geral e cerca de 6% em 2023 e 2024 nos serviços de urgência pediátrica.
Nas urgências de obstetrícia e ginecologia, o motivo de atendimento foi "grávidas e parturientes", registando uma diferença significativa em relação ao segundo motivo mais frequente, "doença", com 68% em 2023 e 83% em 2024. 2024.
A auditoria da IGAS abrange as 39 Unidades Locais de Saúde (ULS) e decorreu de um relatório divulgado em dezembro de 2024, não integrado numa ação fiscal, que constatou que mais de 102 mil pessoas não residentes no país foram atendidas nas urgências do SUS em 2023 e cerca de 92 mil entre janeiro e setembro de 2024.






