A nova edição do programa SPRINT, promovido pela Fintech House, é mais um desses sinais silenciosos mas muito relevantes de que o país já não está apenas a criar startups, está a formar empresas com ambição real de escala.

Localizada no SITIO – Portugal Fintech Hub, a Fintech House tem vindo a consolidar-se como uma verdadeira plataforma de lançamento para a nova geração de soluções financeiras, tecnológicas e regulatórias. O anúncio das 11 startups selecionadas para a nova edição do SPRINT não é apenas mais um programa de aceleração. É o reflexo de um ecossistema mais maduro, mais diverso e, sobretudo, mais alinhado com os desafios reais do mercado europeu.

O que chama desde logo a atenção é a diversidade estratégica das startups apoiadas. Fintech, proptech e regtech surgem lado a lado, não como silos, mas como áreas cada vez mais interligadas. Hoje, falar de inovação financeira já não é apenas falar de pagamentos ou crédito. É falar de dados, de regulação inteligente, de imobiliário digitalizado, de sustentabilidade, de eficiência operacional e de confiança. O facto de o programa acolher startups que atuam nestas três verticais mostra uma leitura muito clara do que será o futuro das finanças.

Outro ponto que merece destaque é o foco do SPRINT. Não se trata de romantizar o empreendedorismo, mas de o profissionalizar. Validação de produto, estratégia de entrada no mercado, métricas de crescimento, estruturação operacional e preparação para investimento são temas que fazem a diferença entre uma boa ideia e uma empresa sustentável. Este tipo de abordagem é essencial para evitar um dos erros clássicos dos ecossistemas emergentes: criar muitas startups, mas poucas empresas que sobrevivem ao primeiro ciclo de mercado.

Os resultados dos últimos anos reforçam esta visão. A Fintech House já apoiou o lançamento de 17 startups e, só no último ano, sete levantaram mais de 455 mil euros em investimento. Mais do que o valor absoluto, o que importa aqui é a capacidade de atrair capital num contexto cada vez mais exigente, onde investidores procuram equipas sólidas, modelos claros e capacidade de execução. Paralelamente, a construção de uma comunidade com mais de 120 fintechs nacionais e internacionais cria algo que não se compra com financiamento: densidade de talento e partilha de conhecimento.

A qualidade da mentoria envolvida é outro fator crítico. Fundadores que têm acesso a pessoas com experiência real em escalar, internacionalizar e errar mais rápido partem sempre em vantagem. Num mercado europeu altamente competitivo, essa transferência de conhecimento é, muitas vezes, o verdadeiro diferencial.

O mais interessante neste movimento é que ele não acontece isoladamente. Liga-se a tudo o que tenho vindo a escrever nos últimos meses sobre Portugal enquanto plataforma estratégica para inovação, tecnologia e capital internacional. Um país que começa a combinar estabilidade macroeconómica, talento técnico, custos competitivos e hubs especializados cria condições únicas para que setores como o fintech deixem de ser promessas e passem a ser motores reais de crescimento.

A nova edição do SPRINT é, por isso, mais do que um programa. É um sinal claro de que o ecossistema financeiro português está a entrar numa fase em que já não basta participar. É preciso competir. E, cada vez mais, Portugal mostra que está preparado para o fazer.