De acordo com os resultados da terceira vaga do Vacinómetro, uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Pneumologia(SPP) e da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar(APMGF) que monitoriza em tempo real a taxa de cobertura vacinal contra a gripe desde 2009, 87,1% das pessoas com 85 ou mais anos já foram vacinadas, 47,8% das quais por recomendação do médico.

Em declarações à Lusa, Jorge Ferreira, presidente da SPP, classificou os resultados como "muito animadores" e um "resultado robusto" para a vacinação, referindo que a vacina recomendada para esta faixa etária é uma vacina de alta dose, cerca de quatro vezes superior à vacina normal em termos da carga antigénica que fornece, o que está associado a uma "muito maior eficácia na prevenção de complicações".

"Proporciona uma resposta imunitária mais forte, uma melhor proteção contra as complicações mais temidas da gripe, reduz claramente os internamentos por gripe e é adequada para pessoas que têm uma resposta imunitária mais fraca", explicou o especialista, que acredita que os resultados do vacinómetro reflectem "o sucesso da disponibilização gratuita da vacina a esta população".

Embora se saiba que a variante do vírus da gripe deste ano incluída na vacina é diferente da que circula atualmente, Jorge Ferreira garante que: "Todas as pessoas que foram vacinadas com a vacina adoptada a nível mundial (...) têm uma resposta muito melhor do que aquelas que não foram vacinadas".

Os dados mostram que Portugal está a aproximar-se da meta de 75% estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a vacinação das pessoas com 65 ou mais anos, estimando-se que esta seja de 72,6%.

"Estamos muito próximos da meta proposta de 75% que a Organização Mundial de Saúde pretende atingir, mas estamos claramente muito acima até dos valores médios do resto da Europa", afirmou.

Admitindo que a ambição é ir mais longe, Jorge Ferreira mostrou-se convicto de que o país está "num excelente caminho", tendo em conta "todo o cansaço que se viveu e que foi amplamente comentado em relação ao processo de vacinação, muita desinformação que tem circulado e desinformação".

Ele destacou que a amostra avaliada nesta terceira onda do vacinômetro mostra um aumento da vacinação: "No ano passado, nesta altura, 47,4% da população inquirida tinha sido vacinada, e agora temos 60%".

"E, por exemplo, em grupos específicos como os profissionais de saúde, no ano passado tínhamos 49,7%, e agora já temos 62,9%", sublinhou.

Os resultados mostram ainda que 71% das pessoas com doenças crónicas também estão vacinadas. Destas, 75,6% das pessoas com doenças respiratórias já receberam a vacina da gripe, assim como 75% das pessoas com diabetes e 73,7% das pessoas com doenças cardiovasculares.

De acordo com a terceira vaga do medidor de vacinas, 62,9% dos profissionais de saúde em contacto direto com os doentes também já receberam a vacina contra a gripe, tal como 57,5% das mulheres grávidas, sendo que 82,8% o fizeram por recomendação do seu médico.

Em contraste com a adesão dos adultos, o grupo das crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 24 meses é, até à data, o menos vacinado, com um total de apenas 38,6%.

"As crianças dependem naturalmente da disponibilidade dos pais para as vacinarem, pelo que é também importante sublinhar que as crianças são, de facto, um grupo de risco para a gripe", afirma o presidente da SPP.

Quanto às intenções de vacinação, os dados mostram que 22,9% das pessoas com 85 ou mais anos não vacinadas ainda pretendem vacinar-se, tal como 22,1% dos profissionais de saúde e 13,9% dos doentes crónicos não vacinados.

Quanto à coadministração da vacina contra a gripe/COVID, a taxa entre os grupos recomendados aumentou ligeiramente, de 57% para 64%.