"Limitar o horário é apenas um passo, quando a verdadeira coragem política é demonstrada ao atacar o problema pela raiz, [por isso] o PS desafia o executivo a tomar as medidas necessárias para avançar com a proibição do consumo de álcool na via pública", afirmou a deputada socialista Carla Almeida.

O presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia acusou o anterior executivo liderado por Carlos Moedas (PSD) de ignorar os vereadores socialistas que alertavam para o problema do consumo desregrado de álcool no centro histórico, mas congratulou-se com a recente aprovação pela Câmara Municipal da proibição da venda de álcool para consumo no exterior dos estabelecimentos durante a noite, que entra em vigor a 14 de fevereiro.

"Como é que isto pode agora ser apresentado como a visão original do presidente?", questionou o socialista, garantindo que o PS não vai aceitar "anúncios vazios que servem estratégias de marketing mas falham na prática" e vai exigir que esta medida seja "real, efectiva e cumprida".

O vereador responsável pelo pelouro da Economia e Cultura, Diogo Moura (CDS-PP), sublinhou que esta não será uma medida isolada, mas será acompanhada de outras, como a nova regulamentação dos horários de funcionamento e do ruído.

Diogo Moura concordou que deve haver um reforço da fiscalização, com especial incidência nas zonas mais sensíveis, lojas de conveniência, minimercados, lojas de recordações e venda ambulante ilegal de bebidas alcoólicas.

Na reunião, que tinha como único ponto da ordem de trabalhos a apresentação do relatório de actividades relativo ao período de setembro a novembro de 2025, a deputada do PCP Sofia Lisboa levantou a questão da política cultural da cidade, que disse caraterizar-se por "uma profunda desconexão entre o discurso público e a prática concreta", com o orçamento municipal a revelar "uma persistente precariedade laboral" e uma tendência para "excluir os trabalhadores e os agentes culturais das decisões".

A deputada do Chega, Margarida Bentes Penedo, que na reunião anterior reclamou o que chamou de "cultura de direita", defendeu a sua honra, lamentando que a sua intervenção tenha sido confundida com uma moção de censura.

O presidente da Câmara Municipal, Carlos Moedas, disse estar "chocado" com as declarações de Sofia Lisboa, lembrando que durante a sua liderança foram inaugurados quatro museus (MUDE, Almada Negreiros, Julião Sarmento e Arte Moderna), renovados outros três (Museu da Cidade, Museu da Cidade, Museu da Marioneta e Museu Bordalo Pinheiro), foi construído o novo Teatro Variedades e está a ser reabilitado o Teatro Aberto, foi alargado o horário de funcionamento das bibliotecas municipais e foram assegurados espaços para os Artistas Unidos e para a Academia de Amadores de Lisboa.

O deputado Edgar Vaz, de Chega, questionou as obras de prolongamento da Linha Vermelha do Metro de Lisboa entre São Sebastião e Alcântara, tendo o autarca aproveitado para apelar a que "a obra avance".

"É frustrante ver o tempo que está a demorar", disse Carlos Moedas, referindo que já não é possível alterar o traçado, pelo que "é altura de avançar".

A assembleia aprovou por unanimidade votos de pesar do PCP pela morte do escultor Francisco Simões, do CDS-PP pela morte do ex-secretário-geral da Presidência da República Luís d'Orey Pereira Coutinho, e do Livre pelas vítimas do acidente de comboio em Espanha.

Antes da reunião, a Lusa tentou obter uma reação do autarca sobre o resultado da primeira volta das eleições presidenciais e se apoiaria algum dos candidatos à segunda volta, António José Seguro (PS) e André Ventura (Chega), e sobre a decisão da vereadora do Chega Ana Simões Silva de abandonar o partido e assumir o seu lugar como independente, mas o autarca escusou-se a comentar.