A ministra afirmou ainda que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) "nunca deu uma resposta tão intensa em qualidade e quantidade como agora".
"Também nunca tivemos tantos novos utentes a inscreverem-se no registo nacional de utentes como nos últimos três anos, mais de 668 mil, e naturalmente isso aumenta as necessidades em saúde", disse Ana Paula Martins aos jornalistas, após uma cerimónia na Fundação Champalimaud para assinalar o Dia Mundial da Saúde.
Novo sistema nacional de acesso
A ministra lembrou que está em curso, a partir de breve, um novo sistema nacional de acesso a consultas e cirurgias, com a lista de espera para cirurgia gerida de forma diferente, mas disse que a resposta às necessidades é acompanhada por novas necessidades que vão surgindo.
De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística, após o impacto da pandemia de Covid-19, 2024 marcou uma recuperação da atividade hospitalar em Portugal, com os internamentos a ultrapassarem os níveis de 2019 e as consultas e cirurgias a atingirem os valores mais elevados desde 1999.
Protesto dos profissionais de saúde
Também questionada pelos jornalistas sobre o protesto de profissionais de saúde e dirigentes sindicais que decorreu hoje em frente ao Ministério da Saúde, exigindo respostas do Governo relativamente a problemas no SNS, Ana Paula Martins disse desconhecer o motivo, por não ter recebido qualquer manifesto, mas admitiu que foram manifestações de insatisfação, pois queriam, "o que é normal", melhores cuidados de saúde.
Ana Paula Martins não comentou as demissões de seis chefes da equipa de urgência do Hospital de Santa Maria, na sequência da saída do diretor de serviço, e, questionada pelos jornalistas, garantiu que a perda de 100 milhões de euros para a construção do novo hospital de Lisboa (Todos os Santos), do Plano de Recuperação e Resiliência, não vai afetar a obra.
"Juntos pela Saúde. Ao lado da Ciência"
No seu discurso na cerimónia de comemoração do Dia Mundial da Saúde, que incluiu a entrega de medalhas de serviços distintos do Ministério da Saúde, Ana Paula Martins falou essencialmente do lema escolhido para este ano, "Juntos pela Saúde. Ao lado da Ciência", que apelou ao trabalho em equipa, e apontou a necessidade de "melhorar o espírito de colaboração" entre instituições.
O Ministro referiu que o desenvolvimento de centros de ensaios clínicos é essencial para o país, que é necessário apoiar os centros de referência e que o Ministério deve "acarinhar" a ideia de criar carreiras clínico-científicas, apesar da "enorme" pressão na saúde.
Pediu aos profissionais de saúde para investirem em estágios, iniciarem colaborações com outras instituições e com o meio académico, e não se afastarem de quem produz tecnologia e inova.
Pediu ainda aos gestores das unidades de saúde que tentem levar os seus médicos a investigar, ajudando-os a criar condições para o fazer.








