Há uma “contradição gritante entre essa disponibilidade financeira e a situação vivida pelos trabalhadores” na Agência de Integração, Migração e Asilo (AIMA), para quem “não há nem menos de um milhão de euros para pagar o bônus de produtividade prometido” por seus esforços para reduzir os atrasos, disse o STM em um comunicado.
O STM expressou assim “seu profundo desacordo com a decisão de Portugal de pagar cerca de oito milhões de euros à União Europeia para evitar o acolhimento de refugiados, considerando que esta opção revela uma clara falta de compromisso humanitário e uma recusa em assumir responsabilidades internacionais pela proteção de pessoas vulneráveis”.
No atual contexto global, “marcado por crises humanitárias e deslocamentos forçados”, o STM considerou que esta decisão “envia a mensagem de que Portugal não quer migrantes ou refugiados, preferindo soluções financeiras à adoção de políticas de acolhimento e integração”.
A opção também “afasta o país de uma tradição histórica de solidariedade, simbolizada por figuras como Aristides de Sousa Mendes, que colocou a defesa da vida humana acima da conveniência política”, de acordo com o STM.
O sindicato também alertou para “o risco de Portugal seguir um caminho semelhante ao dos Estados Unidos da América, adotando políticas cada vez mais restritivas e orientadas para a segurança que enfraquecem a proteção de cidadãos estrangeiros, requerentes de asilo e refugiados, em clara tensão com os compromissos internacionais assumidos pelo Estado português”.
Sobre os atrasos no pagamento dos bônus de produtividade, uma promessa feita desde o anterior governo da AD, o STM lembrou que “a AIMA é um dos órgãos que mais gera receita para o Estado português, mas seus trabalhadores continuam a enfrentar más condições de trabalho, falta de progressão e falta de reconhecimento”.
Em vista do “esforço extraordinário que permitiu resolver cerca de 700.000 casos pendentes, graças à dedicação e ao espírito de sacrifício de uma pequena equipe”, o STM considerou “inaceitável que o Estado abandone a solidariedade internacional e, ao mesmo tempo, desvalorize os trabalhadores que sustentam o sistema migratório nacional, reafirmando que continuará lutando pelo reconhecimento, dignidade e valorização profissional dos técnicos de migração”.
De acordo com as autoridades europeias, Portugal terá que pagar 8,44 milhões de euros para evitar receber cerca de 420 migrantes ao abrigo da reserva anual de solidariedade da União Europeia para 2026, criada para compartilhar o peso da pressão migratória entre todos os Estados-Membros.
O governo disse que se recusou a acolher os refugiados porque a contabilidade oficial dos processos nacionais de retorno estava muito abaixo da realidade e apresentou novos números, esperando que Bruxelas revise o processo.
O ministro da Presidência expressou confiança de que, no final das negociações, Portugal não incorrerá em nenhuma multa.
A reserva anual de solidariedade para 2026 estabeleceu um número de referência de 21.000 para realocações de migrantes e um valor de referência de €420 milhões para contribuições financeiras para a reserva solidária.
Dos 21.000 migrantes a serem realocados, Portugal seria responsável por uma cota de aproximadamente 2%, ou cerca de 420 migrantes, mas o governo decidiu não fazê-lo.
Os compromissos de solidariedade no campo da migração começarão a ser aplicados em 12 de junho de 2026.






