Lançado em 2019, o projeto, executado pelo Grupo de Estudos em Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), já plantou 580.000 árvores nativas em uma área de 1.850 hectares na cordilheira de Monchique, conforme relatado pelo Algarve Primeiro.

O projeto é financiado pela iniciativa de compensação de carbono da companhia aérea britânica Ryanair.

“O financiamento da Ryanair já atingiu €2,2 milhões, o que é significativo, e nosso objetivo é continuar. Os processos de regeneração nessas áreas queimadas são intervenções em uma escala de 20 anos e, portanto, esperamos continuar por muitos mais anos com essa restauração ecológica”, diz Miguel Jerónimo, coordenador do projeto GEOTA. O projeto apoiou mais de 80 proprietários de terras e já plantou 580.000 árvores; elas estão a caminho de atingir 600.000 até fevereiro próximo

.

Combinando recuperação ambiental com regeneração social

Segundo as autoridades, outra fase do projeto em Monchique é que a Renature Monchique vá além da recuperação ambiental após o incêndio de 2018 e também se apresente como um projeto de regeneração social e econômica. “Quando temos esses incêndios, são pessoas reais que são afetadas, e precisamos fazer as coisas de forma diferente para evitar futuros incêndios que queimam 27.000 hectares”, diz Miguel Jerónimo. O projeto está a ser desenvolvido em parceria com a Câmara Municipal de Monchique, a Região de Turismo do Algarve e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF

).

Proporcionar à população uma sensação de rentabilidade também é a pedra angular do projeto, pois envolve proteger o ecossistema com espécies nativas e conciliar o compromisso com as atividades econômicas locais ligadas à cordilheira de Monchique.

Autoridades locais destacam benefícios a longo prazo

O prefeito de Monchique, Paulo Alves, destacou a importância do projeto Renature Monchique, “que já tem uma marca no município, devido à sua expansão territorial, apoio aos proprietários e intervenção em terrenos abandonados que não têm valor”. Segundo o prefeito, o reflorestamento com espécies nativas, como o carvalho de Monchique e o medronheiro, é um

valor adicional para os proprietários.

O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA), André Gomes, descreve o projeto como focado em restaurar a ecologia do território de uma forma próxima aos proprietários de terras. “É um excelente exemplo de que é de fato possível trabalharmos juntos, parceiros públicos e privados, entidades regionais, municípios e empresas em uma ação para regenerar nosso território, que é tão importante no trabalho que fazemos ao nível do Turismo do Algarve, do ponto de vista da diversificação da oferta de segmentos turísticos, demonstrando cada vez mais que o Algarve é, de fato, um destino durante todo o ano”, comenta André Gomes.