Embora o sentimento em relação aos efeitos do evento no sector não seja unânime, os representantes da hotelaria partilham a convicção de que são os hotéis da cidade que beneficiam com o evento.

A Web Summit começa hoje (10 de novembro) em Lisboa, com mais de 900 oradores e 70 mil participantes, segundo dados da organização, numa iniciativa em que a inteligência artificial (IA) continua a estar em destaque.

Questionada pela Lusa, a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal(AHP), Cristina Siza Vieira, disse que, à semelhança das edições anteriores, "a grande maioria dos participantes da Web Summit concentra-se em Lisboa, sendo que as zonas envolventes registam apenas efeitos residuais".

Sem avançar ainda com dados concretos para este ano, a responsável lembrou que o inquérito "Balanço Web Summit 2024", realizado pela AHP, indicou que a taxa de ocupação média nos hotéis de Lisboa durante a semana do evento no ano passado foi de 88%, mais um ponto percentual do que em 2023.

"Apesar de uma ligeira moderação na procura, a cidade manteve um desempenho sólido durante o maior evento de tecnologia da Europa", salientou.

Esta moderação é algo que o Grupo Hoti, que detém vários hotéis em Lisboa, diz estar a sentir este ano em termos do número de dias de estadia dos participantes.

"A taxa de ocupação dos quartos de hotel em Lisboa durante o período da Web Summit é bastante elevada, mas cada vez mais limitada às datas do evento, tendo enfraquecido nos dias anteriores e posteriores. Embora a ocupação se mantenha no pico da procura durante os quatro dias do evento, no total dos 10 dias tradicionalmente dinamizados pelo evento, podemos dizer que a ocupação média enfraqueceu este ano cerca de 15%", afirmou à Lusa o diretor-geral, Miguel Proença.

Sem especificar dias, mas com ocupação "praticamente a 100%" no Grupo Vila Galé, em Lisboa, disse à Lusa o diretor de Marketing e Vendas, Pedro Ribeiro.

No hotel Ópera, a ocupação cresceu "5%" face a 2024, acrescentou.

Questionados, os gestores reconhecem que a Web Summit faz subir o preço médio dos quartos, embora o Grupo Hoti refira que os sinais de arrefecimento da procura fora dos dias principais do evento moderem o impacto global.

Miguel Proença afirma que "a existência do evento impulsiona naturalmente o preço médio nos hotéis da cidade", mas sublinha que "nos 10 dias tradicionalmente afectados pelo evento, os preços médios rondaram os 150 euros nos últimos dois anos, sendo que a referida perda de dinâmica nos dias adjacentes acarreta uma expetativa de quebra de cerca de 20%".

Pedro Ribeiro apontou para um aumento de 5% nas tarifas do Vila Galé Ópera em relação a 2024.

Perfil dos hóspedes

Relativamente ao perfil dos hóspedes durante estes dias, há uma forte presença internacional, sobretudo da Europa, e uma predominância de profissionais ligados à tecnologia e aos negócios.

O responsável da principal associação representativa do sector referiu a presença tradicionalmente predominante de profissionais do Reino Unido, Portugal e Espanha, e o crescimento nos últimos anos dos EUA.

Um perfil que "se tem mantido consistente nas últimas edições do evento", recordou Cristina Siza Vieira.

No entanto, Miguel Proença notou que - apesar de ainda presentes - os EUA deram "uma resposta menor este ano". A Irlanda, a França, o Reino Unido, o Brasil, a Índia e o Canadá destacam-se mais fortemente nesta cadeia.

A Vila Galé, sem especificar, apontou para os hóspedes dos mercados europeu e brasileiro.

A Lusa contactou vários grupos e unidades hoteleiras, mas não foi possível obter mais respostas em tempo útil.