"Temos esta situação e temos de trabalhar para criar uma solução que traga democracia, estabilidade e governabilidade à Venezuela", disse Paulo Rangel à imprensa no Palácio das Necessidades.
Questionado pelos jornalistas sobre Edmundo González, o candidato da oposição que reclama a vitória nas eleições presidenciais de julho de 2024, Rangel considerou-a "uma solução de longo prazo perfeitamente aceitável, talvez a preferível".
Uma solução que, admitiu, "provavelmente não pode ser imediata", uma vez que a situação no terreno neste momento "não é clara".
"É necessário iniciar um processo de transição para a democracia", sublinhou.
Rangel defendeu que existe "um candidato eleito, comprovadamente vencedor, segundo as agências internacionais independentes e imparciais que tiveram acesso às actas, e que será um presidente legítimo", se o resultado deste processo de transição for nesse sentido.
Restaurar a legitimidade democrática
"Para Portugal e com quase 10% de certeza para a União Europeia, a solução para, o mais rapidamente possível, restaurar a legitimidade democrática não é recolocar [Nicolás] Maduro no poder, mas precisamente colocar na presidência o candidato que ganhou as eleições", insistiu.
Instado a comentar a intervenção dos Estados Unidos, que atacaram alvos na Venezuela e detiveram o líder venezuelano Nicolás Maduro, Rangel lembrou que o Governo português defende o respeito pelo Direito Internacional.
"Muitos consideram que esta intervenção, feita nestes termos, independentemente das intenções, que são benignas, não está de acordo com o Direito Internacional, mas dada a ilegitimidade de Nicolás Maduro e de uma elite narco-estatal, há quem considere que pode haver algum grau de legitimação", comentou.
Comentário à declaração de Trump
Instado a comentar a declaração do presidente norte-americano Donald Trump de que os EUA vão governar o país por enquanto, Rangel minimizou: "Eu não interpretaria as palavras de forma tão literal".
O chefe da diplomacia portuguesa afirmou que "terá de haver um processo de pacificação da situação no terreno, que pode passar por conversações com agentes do atual regime e pelo envolvimento da oposição", e no qual os EUA "terão um papel central nesse diálogo".
Rangel defendeu que países como Portugal, mas também Espanha ou Itália, que têm comunidades significativas na Venezuela, têm "uma influência importante" para "criar as condições para que, o mais rapidamente possível, uma solução democrática, subscrita pelos venezuelanos, possa ser a solução governativa".
O futuro do país foi, sublinhou, o principal foco de uma reunião esta tarde entre o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro.
Diáspora portuguesa
Rangel manifestou preocupação com os presos políticos, entre os quais cinco luso-venezuelanos.
"Mas há muitos mais, e era muito importante que este sinal fosse dado nesta altura", comentou.
Relativamente à comunidade portuguesa - uma das maiores da diáspora - reiterou que é a "primeira preocupação" do Governo e que não há indicação de que alguém tenha ficado ferido ou sofrido danos materiais.
O chefe da diplomacia sublinhou que a comunidade portuguesa é "muito influente e muito visível", e que "sofreu muito" com "a ditadura de Hugo Chávez e depois de Nicolás Maduro".
Rangel destacou a "grande resiliência" da comunidade portuguesa ao longo dos anos.








