Este ano, o evento contou com muitas actividades familiares e workshops, e também com coleccionadores de pedra a vender os seus produtos
O Museu do Quartzo - Centro de Interpretação Prof. Galopim de Carvalho, localizado no Monte de Santa Luzia, na freguesia de Campo, Viseu, acolheu a 11ª edição da Feira de Minerais, Gemas e Fósseis, de 21 a 22 de fevereiro.
Exposição anual
A exposição, que se realiza anualmente, dá aos visitantes a oportunidade de interagir com especialistas em geologia, paleontologia e outras ciências relacionadas com o tema da feira, bem como de adquirir peças das suas colecções.
No primeiro dia da feira, o programa incluiu várias actividades: um workshop de joalharia, em que os participantes aprenderam a trabalhar a prata; a construção de um relógio de sol; uma "viagem" pelo Sistema Solar; e, ao cair da noite, uma atividade de observação das estrelas.
No segundo dia, o museu organizou uma oficina de joalharia em latão, uma atividade de criação de estrelas para os mais novos e um espetáculo de magia cómica intitulado "A Tangerina e o Cristal". Com exceção das oficinas de ourivesaria, todas as actividades foram gratuitas e abertas ao público, mediante inscrição prévia.
Apesar de o evento ter atraído um grande número de visitantes, foi possível entrevistar dois vendedores presentes na exposição e conhecer um pouco mais sobre as suas actividades.
Amante de minerais
A começar por Fernando, um apaixonado por minerais e outros materiais encontrados na natureza, que, dotado de um talento natural, fundiu a arte do macramé com as pedras, criando peças dignas de exposição.
Segundo Fernando, proprietário da Solart Pulseiras, a sua paixão pelo macramé surgiu em Cabo Verde, quando ainda era criança e passava muito tempo numa sapataria.
Tendo acesso a fios e outros materiais, começou a desenvolver a sua arte, sem estudo formal, apenas com a intuição. "Sempre fui um bocado irrequieto, sempre com vontade de fazer coisas diferentes. Mas, há cerca de 5 anos, comecei a evoluir a minha técnica e a produzir as peças que vemos agora", diz o artista.
Quando questionado sobre o seu processo criativo, o artista disse que, na maioria das vezes, é inspirado pelo próprio material. "Às vezes pego numa pedra e a sua beleza e rusticidade inspiram-me a criar algo único, intuitivamente", disse.
Por se tratar de materiais que vêm da natureza, como pedras, conchas, sementes e afins, não há duas peças iguais.
Nas palavras de Fernando, "vestir uma peça feita por mim é vestir a sua própria identidade". "Há pessoas que querem um colar completamente único, por exemplo, e uma coisa que eu gosto de fazer é conversar com a pessoa e tentar perceber o colar que ela tem em mente, para juntos criarmos algo único", relatou.
O empresário disse ainda que o seu principal objetivo é divulgar mais a arte do macramé no mundo moderno. "É uma técnica antiga, que começou com os assírios e babilónios e foi trazida pelos mouros nas suas viagens à Europa. Após a sua chegada à Península Ibérica, rapidamente se tornou popular em Inglaterra, onde foi utilizada nas roupas e adornos da Rainha Vitória, sendo assim reconhecida e adoptada em França. O meu objetivo é ser um veículo para que o macramé dê mais um salto para a modernidade", afirma.
Por fim, o artista recomenda aos leitores que, se estiverem interessados, aprendam a fazer macramé, pois considera que é uma atividade terapêutica.
"Perdi parte da audição do ouvido esquerdo e, por causa disso, perdi também a capacidade de me concentrar; o macramé ajudou-me a recuperar a concentração porque é uma atividade prática que leva algum tempo. Considero a informação essencial para quem quer fazer macramé; no YouTube, pode encontrar muitas pessoas de bom coração que partilham os seus conhecimentos; os materiais são baratos e podem ser facilmente encontrados online em sites como a Amazon." "Para as pessoas inquietas, ansiosas ou que sofrem de muito stress na vida quotidiana, o macramé é uma atividade muito boa e acessível."
Especialista em âmbar
Augusto Barbosa, conhecido pelos seus clientes como Ângelo, disse ao The Portugal News que trabalha com minerais e fósseis há 15 anos, especializando-se em âmbar há 30 anos.
Licenciado em Astronomia, Física e Matemática Aplicada pela antiga Faculdade de Ciências do Porto, Ângelo Barbosa é um colecionador e entusiasta de minerais, fósseis e pedras preciosas que dedica parte do seu tempo à catalogação e venda da sua coleção, bem como à realização de actividades pedagógicas em escolas e outros locais, centradas na mineralogia portuguesa. Os seus produtos podem ser encontrados em várias feiras de minerais por todo o país e também no seu site, onde podem ser adquiridos online.
Também é possível contactar o especialista via WhatsApp através do número (+351) 912 478 813 para solicitar os seus serviços e tirar dúvidas.
Museu do Quartzo
O Museu do Quartzo foi concebido pelo geólogo Galopim de Carvalho, e as suas instalações situam-se num antigo local de extração de quartzo. É o único museu do mundo dedicado exclusivamente a um mineral.
A entrada é gratuita e o museu pode ser visitado todos os dias, exceto às segundas-feiras, domingos e feriados.




