O tempo não pára. À medida que o mundo evolui, a tecnologia domina todos os aspectos da vida humana e actualiza-se rapidamente. É praticamente inevitável que os sectores mais tradicionais da nossa sociedade tenham de se modernizar.
É um facto que a religião, de uma forma ou de outra, é intrínseca à experiência humana. Milhões de pessoas encontram conforto na fé, sobretudo perante a fragilidade e a finitude da vida.
Numa pequena paróquia da Póvoa do Varzim, em Portugal, um padre compreendeu melhor do que ninguém a união da fé com a modernidade.
O Padre Guilherme Peixoto, nascido em 1974 em Guimarães, encontrou a sua vocação clerical desde muito cedo. Tendo sido criado numa família devota, a fé católica não lhe era desconhecida. Foi graças à sua mãe que o Padre Guilherme seguiu o caminho do sacerdócio.
Quando os médicos não esperavam que ele vivesse devido a problemas de saúde à nascença, a mãe rezou e prometeu que, se o filho sobrevivesse, seguiria o caminho de Deus.
Apesar desta promessa, o pequeno Guilherme escolheu ele próprio o sacerdócio com apenas 13 anos, decidindo seguir a sua vocação e não porque alguém lha impusesse.
Em 1999, com 25 anos, Guilherme Peixoto foi ordenado padre e iniciou a sua carreira na diocese de Braga. Mais tarde, exerceu também funções de capelão militar, participando em missões internacionais no Afeganistão e no Kosovo. Já apaixonado pela música eletrónica, durante a sua missão no Afeganistão, o padre organizou eventos sociais para os soldados. De regresso a Portugal, decidiu ter aulas de DJing para aperfeiçoar a sua arte que, anos mais tarde, daria a conhecer o seu nome a nível mundial.
Ao tornar-se pároco em Laúndos, o Padre Guilherme rapidamente se apercebeu que tinha muito trabalho pela frente, uma vez que a comunidade enfrentava dificuldades financeiras devido à construção do centro paroquial. Para contornar estes problemas, o pároco decidiu reabrir um antigo café paroquial, a que deu o nome de "Ar de Rock", de forma a angariar fundos e estabilizar as contas da comunidade.
Como referiu numa entrevista à RFM, inicialmente o "Ar de Rock" era um simples espaço de animação, onde os frequentadores faziam sobretudo karaoke, mas o padre sentiu que precisava de algo mais para rentabilizar e atrair um público mais jovem, e foi assim que começou a colocar o seu gosto pela música eletrónica e os seus talentos ao serviço da sua paróquia. Foi assim que começou a utilizar o seu gosto pela música eletrónica e os seus talentos na sua paróquia. Aí, o Padre Guilherme conseguiu, finalmente, "misturar" literalmente a fé e o mundano, aproximando os jovens da fé católica e, ao mesmo tempo, apoiando a sua paróquia.
Durante a pandemia, começou a fazer live-streaming nas redes sociais, mostrando os seus sets, que se tornaram virais e lançaram a sua carreira internacional de DJ.
E assim, o que começou por ser uma necessidade financeira tornou-se numa ferramenta de evangelismo moderno. Para o Padre Guilherme, o importante é que a fé se faça sentir, seja onde for, e como já referiu em várias entrevistas pelo mundo fora, a sua fé mantém-se intacta ao longo do seu trabalho.
Seja no palco ou na igreja, o DJ Padre Guilherme quer mostrar ao mundo que ser católico não significa se isolar do mundo. Pelo contrário, significa unir-se a pessoas de todos os géneros e espalhar mensagens de paz, amor e harmonia.





