O toque pessoal torna o seu trabalho único e facilmente identificável onde quer que se encontre.
Formação e percurso inicial
Cristiana sempre esteve ligada à arte, com uma licenciatura em Artes Visuais e uma pós-graduação na mesma área pela Universidade do Algarve. O artesanato tornou-se a forma de se sustentar enquanto continuava a pintar
Como explica, "Portugal é um país fantástico e culturalmente rico, mas há pouco apoio aos artistas e ao artesanato tradicional".
Mesmo assim, adora o Algarve e não se imagina a viver ou trabalhar noutro lugar, mesmo com as dificuldades sazonais e as oportunidades limitadas.
Autor: Art Sueste;
Quando se licenciou, começou a aperceber-se que tinha escolhido um dos caminhos mais difíceis e que tinha muitos desafios pela frente. Sempre acreditou que o que era difícil não era impossível e que os desafios fazem parte do processo de "amadurecimento".
"Costumo dizer em casa, em tom de brincadeira, que o meu primeiro amor é a ARTE, o segundo é a pintura, e acho que os azulejos foram o melhor veículo para comunicar ao mundo a minha paixão e dedicação."
Autor: Art Sueste;
À descoberta dos azulejos
Mesmo antes de começar a pintar azulejos, Cristiana já estava fascinada com os azulejos azul-cobalto que cobrem muitas igrejas no norte de Portugal.
"Fiquei sempre maravilhada. Tinha de lhes tocar, ver as pinceladas de perto, procurar a assinatura do artista. Imaginava o trabalho árduo e as horas dedicadas a pintar algo tão grandioso".
Quando entrou em contacto com os azulejos, aprendeu sobre os processos de pintura e cozedura e ficou fascinada com a sua durabilidade face aos elementos e à passagem do tempo.
"Basta olhar para os painéis dos séculos XVII e XVIII que cobrem as fachadas de igrejas, palácios e estações em Portugal. Vi nos azulejos uma forma de perpetuar o meu trabalho e, de certa forma, a minha marca pessoal no mundo."
Autor: Art Sueste;
O ponto de viragem
Teve um feliz encontro com a olaria tradicional portuguesa, onde se dedicou à pintura de peças em barro.
"Acho que esse momento foi o mais crucial e o ponto de viragem que me trouxe até aqui. Tomei contacto com os materiais e o mecanismo da pintura e da produção em série".
Foi na olaria que teve o seu primeiro encontro com os azulejos, e foi amor à primeira vista.
Autor: Art Sueste;
O primeiro azulejo
O primeiro azulejo que pintou foi um painel da ponte de Tavira, no Algarve. Era um desenho que já estava quase automatizado na sua cabeça, pois já o tinha trabalhado antes na pintura de postais.
Confiante na imagem, ainda assim sentia medo porque ia trabalhar com materiais e técnicas que nunca tinha utilizado.
Foi em frente, deixou fluir e fê-lo. O resultado final (após a cozedura) foi fantástico. Direta ou indiretamente, esse momento despertou e motivou-a a começar outro painel de imediato.
Depois de ganhar confiança, aumentou imediatamente a escala. Era enorme, e teve de o pintar durante horas. Era um fundo de mar com golfinhos, peixes exóticos e corais.
Art Sueste
Art Sueste nasceu de um enorme desejo de criar. Na altura, não importava onde ou como - apenas fazê-lo, pintar, criar. Era uma altura de grande energia criativa.
Cristiana pintava pranchas de surf e paredes de bares e restaurantes. Foi também nessa altura que começou a produzir vários trabalhos manuais e percebeu que tudo o que fazia era comercializável.
Autor: Art Sueste;
Sentiu a necessidade de dar um nome a este momento criativo e assim surgiu a Arte Sueste. Este nome está profundamente enraizado na sua essência como pessoa (o amor pelo mar), na localização geográfica onde vive (o Algarve) e no Sueste, que é normalmente sinónimo de águas quentes, boas ondas e bons momentos (tudo o que a arte é ou deve ser).
O processo de fabrico de um azulejo pintado à mão
Trabalha com azulejos pré-esmaltados, pintando diretamente sobre uma fina camada de esmalte em pó.
Quanto ao desenho, não gosta de esboços, preferindo pintar diretamente sobre o azulejo.
Uma vez terminada a pintura, o azulejo é cozido a 985º, e é aí que a magia acontece. É no forno que as cores se fundem, o azulejo ganha vida e brilha.
Abrir o forno depois da cozedura é sempre um momento de grande expetativa e alegria para ela.
Onde é que as pessoas podem encontrar ou comprar os seus azulejos?
As criações de Art Sueste podem ser encontradas em várias lojas do país, mas para um trabalho mais personalizado, nada melhor do que contactá-la diretamente.
Os seus contactos estão disponíveis nas redes sociais: Instagram @artsueste.tiles. Está sempre disponível e pronta para receber novas ideias e projectos.
A vida no Algarve
Sendo natural do Algarve, adora naturalmente as praias, mas cada vez mais gosta também do inverno.
"Acho que temos um pouco de tudo em termos de cenários e paisagens nesta pequena região. Somos abençoados com um clima ameno e céu azul durante quase todo o ano e, no inverno, não há nada como caminhar ou andar de bicicleta."
Ela adora o Algarve de uma ponta à outra, como se pode ver, mas tem três sítios preferidos: Tavira, pelo seu romantismo e beleza única; Olhão, a sua cidade querida, onde vive, cheia de carisma devido às suas origens piscatórias, agreste e "rústica" e, finalmente, Aljezur, o seu refúgio de paz, rodeado pelo mar, onde ainda pode sentir a natureza em estado bruto.
Olhando para o futuro
Olhando para o futuro, Cristiana está a planear novas formas de organizar e expor o seu trabalho.
Sentindo a necessidade de estar mais em contacto com o público, planeia ensinar pessoas interessadas na arte dos azulejos.
"Acredito que a melhor forma de mostrar gratidão quando se tem um dom num determinado ofício é partilhar o conhecimento que se adquiriu com outras pessoas que têm o mesmo gosto ou desejo. Só assim podemos manter viva esta forma de arte e identidade cultural, que é a pintura em azulejo."







