Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Municipal de Feiras Novas, Gonçalo Rodrigues, disse que este é um "acontecimento muito importante para o concelho", porque as festividades "reflectem o modo de vida muito próprio dos habitantes do concelho e representam tudo o que está relacionado com a tradição, os costumes e os valores que os limianos querem mostrar ao mundo", acrescentou.
De acordo com a proposta de classificação como Património Cultural Imaterial em 2023, as "Feiras Novas", como são designadas desde 1826, ano da autorização oficial por Decreto Real da Chancelaria de D. Pedro IV, enquadram-se na categoria de festividades cíclicas, marcadas por uma forte inclinação religiosa e cultural.
As festas concelhias, que se realizam sempre em setembro, "radicam na devoção a Nossa Senhora das Dores e no apego à terra e às tradições, apresentando e mantendo um programa eclético que estabelece uma simbiose perfeita entre o ciclo da natureza e o calendário litúrgico".
"De facto, são as gentes de Limianos que fazem a festa acontecer, e têm uma caraterística interessante: muitas vezes, através da sua participação ativa nas várias actividades do programa, conseguem viabilizar a festa, participando e transmitindo este legado aos mais novos para que o possam manter no futuro." "Acabam por criar um festival verdadeiramente diferente, pelo forte sentido de pertença que querem partilhar com todos os que vêm às Feiras Novas", disse.
Para Gonçalo Rodrigues, que é também vereador na Câmara Municipal de Ponte de Lima, "a inclusão das Feiras Novas no Inventário Nacional do Património Cultural e Material é um reconhecimento que muito atesta o valor cultural e histórico da festa, que acaba por contribuir significativamente para a transmissão da cultura, dos valores e das tradições associadas quer à festa, quer ao território e às suas gentes".
O organizador anunciou que a edição de 2026 decorrerá de 9 a 14 de setembro, e que o desfile histórico será dedicado à história das Feiras Novas.
Organizado pela Associação de Municípios de Feiras Novas e pela Câmara Municipal, o programa do festival inclui os tradicionais grupos folclóricos do Alto Minho, que juntam centenas de tocadores de concertina e cantadores numa atuação desafiante, sendo um dos pontos altos do programa.
Nesse dia, o cortejo de concertinas que dá início às festividades começa às 21h30 e prolonga-se até de madrugada, juntando cantadores e músicos, para além de muitos outros que se juntam à festa de forma espontânea.
O programa inclui os tradicionais cortejos etnográficos e históricos, a feira do gado e os concursos pecuários.
O rufar dos tambores, grupos de Zés Pereiras, gaiteiros, concertos de bandas de música, fado, folclore, espectáculos musicais, fogo de artifício, corrida de póneis e tourada fazem parte do programa da festa anual de Ponte de Lima.
Na terça-feira, a comemoração dos 200 anos das Feiras Novas vai combinar momentos de homenagem e cultura. A celebração inclui o descerramento do cartaz e programa das Feiras Novas 2026, a nova marca do evento, e a apresentação do livro comemorativo dos 200 anos das Feiras Novas, uma edição especial que regista a memória e a evolução desta tradição secular.
A inauguração da exposição temporária "As Feiras Novas em Cartaz", que reúne peças gráficas e registos visuais das últimas décadas, e a apresentação de um documentário sobre as Feiras Novas são outros dos destaques do festival, que termina com um espetáculo de fogo de artifício que simboliza o início de um novo século de Feiras Novas.








