O "Estudo do Valor da Rede de Farmácias em Portugal", coordenado pelos investigadores da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Nova(Nova SBE), Pedro Brinca e João Duarte, estima que em 2025 tenham sido registadas cerca de 477 mil ações no âmbito do serviço de gestão de Situações Clínicas Menores (SCM), um aumento de 146% face a 2024, sendo que apenas 2,2% dos casos foram encaminhados para consulta médica, evidenciando o potencial de redução da pressão sobre as urgências e a linha de apoio SNS24.

Visita à farmácia

Perante sintomas ligeiros, 57,2% dos portugueses recorrem primeiro à farmácia, enquanto 16,5% optam pelos centros de saúde e 12,1% pela linha de apoio do SNS24, um padrão comum a todas as regiões e faixas etárias, segundo o estudo que será apresentado hoje no 15.º Congresso da Farmácia, em Lisboa.

O estudo identifica as infecções do trato urinário e as infecções agudas da orofaringe como situações comuns que podem beneficiar de uma gestão de proximidade. No ano passado, estas situações representaram 4.218 e 34.250 visitas às farmácias, respetivamente.

Vacinação sazonal

Os investigadores destacam a vacinação sazonal e a resposta ao SCL como os serviços com maior impacto, sublinhando o contributo da proximidade para complementar a resposta do SNS, evitar deslocações e reduzir emissões.

Em 2024/25, os serviços prestados pelas farmácias evitaram mais de 1.500 toneladas de emissões de dióxido de carbono, principalmente pela redução das deslocações às unidades do SNS. Estes resultados são ainda potenciados pelo sistema Valormed, que recolheu 1.262 toneladas de resíduos farmacêuticos e de embalagens, evitando mais 436 toneladas de CO2.

Visitas a clientes

No ano passado, as 2.920 farmácias e cerca de 200 postos farmacêuticos do país registaram 174,3 milhões de visitas de clientes, mais de 550 mil por dia útil, sendo o principal ponto de contacto com o sistema de saúde para muitas pessoas.

De acordo com um estudo da Nova SBE e da Associação Nacional de Farmácias(ANF), 82% dos portugueses vivem a menos de 5 quilómetros de uma farmácia (41% deslocam-se a pé), enquanto 53% vivem à mesma distância de um centro de saúde e apenas 13,7% vivem à mesma distância de um hospital.

Em comunicado, os promotores do estudo afirmam que "para além do impacto na saúde, o sector contribui significativamente para a economia nacional e é um fator de desenvolvimento dos territórios, em particular no interior", e que tem contribuído para reduzir a despesa do Serviço Nacional de Saúde.

Entre os serviços analisados, destacam-se a vacinação sazonal, com uma poupança líquida estimada em cerca de 34 milhões de euros anuais, e a dispensa de medicamentos hospitalares de proximidade, com cerca de 5 milhões de euros.

O impacto económico total da atividade foi estimado em 3.230 milhões de euros, o equivalente a 1,12% do PIB nacional.

Oportunidades de emprego

As farmácias comunitárias são diretamente responsáveis por 21.632 postos de trabalho, com maior presença no interior do país. "Cada posto de trabalho nas farmácias cria mais 1,45 postos de trabalho no resto da economia."

Em 2024, o sector gerou cerca de 3,985 mil milhões de euros de volume de negócios, "numa escala comparável à da Autoeuropa, mas que em vez de estar concentrada num único território, está distribuída por micro e pequenas empresas presentes em todos os 308 concelhos do país e ilhas", sublinha.

De acordo com a análise 'Input-Output' do INE, o sector é responsável por 2,496 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto e 53 mil postos de trabalho sustentados a nível nacional.

Valorizar a economia portuguesa

"Por cada euro de produção gerado pelas farmácias, são criados 3,21 euros de produção total na economia portuguesa", salienta, acrescentando que "o impacto fiscal anual ascende a 1,214 mil milhões de euros de receita para o Estado, através do IVA, IRS, Segurança Social e IRC, um valor equivalente a 7,8% do orçamento do SNS em 2024".

Para a presidente da ANF, Ema Paulino, o estudo "evidencia o potencial estratégico das farmácias, pela sua abrangência, proximidade e confiança que inspiram na população, reforçando o seu papel como agentes de coesão e desenvolvimento territorial, e como parceiros do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na prestação de uma resposta em saúde mais eficiente e centrada no cidadão".