O anúncio da Cap Capital Holdings é mais um sinal de que esta transformação continua a ganhar força.

A decisão do grupo britânico de consolidar Portugal como um dos pilares da sua operação europeia não deve ser vista apenas como mais um investimento estrangeiro. Deve ser interpretada como um voto de confiança nas condições que o país oferece para desenvolver empresas com ambição internacional. Estamos a falar de uma organização com capacidade de investimento superior a 325 milhões de euros, focada em áreas como a energia, as infraestruturas de telecomunicações, a robótica, a inteligência artificial, a aeronáutica e a defesa. Curiosamente, são exatamente os setores que irão definir a competitividade da Europa nas próximas décadas.

Aquilo que mais me chama a atenção é a razão desta escolha. A Cap Capital identifica Portugal pelo talento qualificado, pela capacidade industrial, pela localização estratégica e pelo crescente papel que o país desempenha na transformação tecnológica e energética europeia. Ou seja, as mesmas vantagens competitivas que têm levado outras empresas internacionais a instalar centros tecnológicos, projetos industriais e operações de elevado valor acrescentado no nosso território.

Na minha opinião, este tipo de investimento deve merecer muito mais atenção do que normalmente recebe. Durante anos discutimos como atrair capital estrangeiro. Hoje começamos a assistir a uma realidade diferente. As empresas já não procuram Portugal apenas para vender produtos ou reduzir custos. Procuram o país para desenvolver tecnologia, criar empresas, investir em inovação e construir projetos com visão de longo prazo.

Este é um sinal importante de maturidade da economia portuguesa. Significa que começamos a competir pela qualidade do nosso talento, pela capacidade de inovação e pela criação de conhecimento, e não apenas pelo custo da mão de obra ou pelos incentivos fiscais.

Naturalmente, este crescimento também traz responsabilidades. Se queremos continuar a atrair empresas desta dimensão, teremos de garantir que o país acompanha essa evolução. Precisamos de formar mais talento, acelerar processos administrativos, investir em infraestruturas, reforçar a ligação entre universidades e empresas e criar condições para que estas organizações encontrem em Portugal um ambiente competitivo durante muitos anos.

A notícia da Cap Capital não representa apenas a chegada de mais um investidor. Representa a confirmação de uma tendência que tenho vindo a observar há vários anos. Portugal está a entrar no radar das empresas que constroem a nova economia europeia.

Agora cabe-nos transformar essa oportunidade numa estratégia de longo prazo. Porque o verdadeiro sucesso não está apenas em atrair investimento. Está em criar condições para que esse investimento gere inovação, emprego qualificado, conhecimento e riqueza para as próximas gerações.