O alerta consta de um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica que, no último ano, um total de 13,5 milhões de crianças não receberam nenhuma dose de vacina, ficando assim vulneráveis a doenças que podem ser prevenidas pela vacinação, enquanto outras 6,2 milhões obtiveram apenas proteção parcial.

Números reduzidos

Apesar de estes números representarem menos 745 000 crianças sem qualquer dose de vacina do que em 2024, as duas organizações alertam que os dados de 2025 indicam que o objetivo de reduzir o número de «crianças sem nenhuma dose» até 2030 ainda está longe de ser alcançado.

A Agenda de Imunização para 2030 visa reduzir para metade o número de «crianças sem nenhuma dose» a nível global, passando de um número estimado de 12,8 milhões em 2019 para 6,4 milhões no prazo de quatro anos.

Em meados da década — em 2025 —, os 13,5 milhões de crianças que não receberam qualquer dose de vacina representavam mais 700 000 do que em 2019 e 3,9 milhões acima da média intermédia de 9,6 milhões prevista para este ano, alerta o documento.

A nível mundial, nove países — Nigéria, Iémen, República Democrática do Congo, Índia, Indonésia, Etiópia, Afeganistão, Paquistão e Angola — representaram mais de metade (52,4 %) de todas as crianças que não receberam nenhuma dose de vacina no último ano.

De acordo com o relatório, a vacinação contra o sarampo com pelo menos uma dose está a tentar recuperar os níveis de 2019, uma vez que há mais 1,8 milhões de crianças não vacinadas contra esta doença do que há sete anos, mas, por outro lado, a cobertura da última dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV) entre as raparigas aumentou de 28 % para 31 % no último ano.

Programas de vacinação

Os programas de vacinação em 2025 revelaram ligeiras melhorias na cobertura da vacina contra a difteria, o tétano e a tosse convulsa (DTP) em comparação com 2024, mas continuam abaixo dos níveis de 2019.

Numa conferência de imprensa, a diretora do departamento de imunização e vacinas da OMS reconheceu que o progresso da vacinação entre 2024 e 2025 é modesto, mas salientou que, nos últimos 25 anos, especialmente após o investimento da Aliança Global para as Vacinas (Gavi), «tem sido enorme».

«Uma das grandes conquistas é que as crianças estão agora protegidas contra mais doenças do que nunca», destacou Kate O’Brien, para quem isto foi possível porque «foram desenvolvidas e autorizadas vacinas seguras e eficazes contra doenças que antes não eram preveníveis e que estão agora a ser administradas».

A meio da década, um relatório da UNICEF e da OMS apresenta uma avaliação intercalar dos progressos realizados pelos países que aderiram à meta de reduzir em 50 % o número de crianças sem qualquer dose da vacina até 2030, salientando que 90 países mantiveram uma cobertura elevada e estável, superior a 95 %.

Outros nove países registaram alguns progressos, mas não atingiram esta meta, e 74 apresentavam, em 2025, um número de crianças sem qualquer dose da vacina superior ao de 2019.