Aumentar o turismo internacional para prolongar as estadias dos visitantes e reduzir a sazonalidade é um objetivo central, enfatizou José Manuel Santos, presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo.
O responsável, falando em Évora após a apresentação de um estudo que caracteriza o perfil, as motivações e o comportamento dos visitantes do Alentejo, enfatizou que, apesar do crescimento já observado no mercado externo, é preciso “crescer mais”.
“No ano passado, tivemos um gerente de produto para mercados internacionais. Agora temos três e seis consultorias de comunicação — o dobro do número anterior — atendendo aos mercados espanhol, brasileiro, holandês, alemão, inglês e francês”, ilustrou
.De acordo com José Manuel Santos, esta Entidade Regional de Turismo (ERT) prioriza as consultorias de comunicação para a região do Alentejo nos mercados alemão, inglês e francês, que se classificam como o terceiro, quarto e quinto maiores mercados estrangeiros.
Ele observou que o mercado americano é a segunda maior prioridade para o Alentejo, mas que carece de uma consultoria de comunicação dedicada devido ao financiamento insuficiente.
Ele observou a redução da sazonalidade, em grande parte graças aos mercados canadense e norte-americano, mas enfatizou a necessidade de maiores investimentos, particularmente na costa alentejana. Instalações como campos de golfe ajudariam: “O tempo médio de permanência está intimamente ligado aos produtos disponíveis e ao crescimento do mercado internacional, bem como à sazonalidade”, ressaltou.
Quando questionado pela Lusa sobre a estadia média de duas noites dos turistas que visitam a região do Alentejo, conforme determinado por este estudo produzido pela Universidade de Évora (UÉ), em comparação com um estudo anterior de 2012 de outra entidade que indicava quase quatro noites, o responsável explicou que os dois estudos foram conduzidos usando metodologias diferentes.
“Portanto, os dados não são comparáveis”, frisou, destacando que a estadia média calculada por este estudo “coincide com os dados do INE [Instituto Nacional de Estatística] de 2025, em que o Alentejo finalmente conseguiu chegar às duas noites”, afirmou.
Sobre este novo estudo, o presidente da ERT destacou “o que os acadêmicos identificam como uma experiência restauradora”, ou seja, “a conexão que os turistas que visitam o Alentejo querem ter com a natureza e a cultura”.
“Uma das palavras-chave mencionadas [no estudo] é, na verdade, tranquilidade”, ressaltou.
José Manuel Santos também observou a mudança do perfil do visitante, que “é cada vez mais um turista de médio a alto padrão, até mesmo de luxo” que viaja menos em família e mais em casal ou com amigos.
“E esse é um turista que valoriza mais as experiências. Ao contrário de um turista de segmento médio a médio-baixo, que gasta essencialmente tudo em alimentação e hospedagem, esse turista gasta e está disposto a gastar mais
em experiências”, disse ele.Diante desses dados, o funcionário considerou que “há uma oportunidade para os agentes econômicos do setor terem mais ofertas experimentais em torno do entretenimento”.
Este estudo “é muito importante para o nosso trabalho de marketing” e também para os agentes de turismo, para “ajudá-los em suas estratégias de marca e sua política de promoção operacional”, enfatizou.
Coordenado por Joana Lima, Maria do Rosário Borges, Jaime Serra e Noémi Marujo, da Universidade de Évora, o estudo mostra que, em média, os visitantes ficam pelo menos duas noites no destino e gastam cerca de €133 por pessoa por dia.
O perfil do visitante é equilibrado entre homens e mulheres, e a maioria é casada ou vive em união estável, tem um diploma universitário, está empregada e tem uma renda mensal entre €2.001 e €4.000.






