Há investimentos que vão muito além do retorno financeiro imediato. Este é um deles.

A Atlantic Premium Capital Partners anunciou um investimento estratégico na Beyond International School, com foco inicial no desenvolvimento e reforço do campus de Queluz. À primeira vista, trata-se de mais uma operação no setor da educação privada. Mas, olhando com atenção, estamos perante algo mais estruturante: a consolidação da educação internacional como pilar da estratégia de posicionamento de Portugal no contexto global.

Nos últimos anos tenho escrito frequentemente sobre três vetores que estão a redefinir o país: mobilidade internacional de talento, investimento estrangeiro qualificado e reposicionamento estratégico de Portugal como hub europeu. A educação internacional está no centro dessa equação.

Famílias internacionais, executivos deslocados, empreendedores globais e investidores de longo prazo não escolhem um país apenas por fiscalidade ou clima. Escolhem pela estabilidade institucional, qualidade de vida e, sobretudo, pela qualidade da oferta educativa para os seus filhos. É aqui que este investimento ganha relevância.

A Atlantic Premium Capital Partners não está apenas a financiar infraestruturas. Está a apostar num modelo escalável, com visão de longo prazo, começando pelo campus de Queluz e preparando terreno para futuras expansões. A estratégia é clara: capital disciplinado, governação estruturada e crescimento faseado, alinhado com resultados educativos concretos.

O reforço das infraestruturas, a modernização dos espaços de aprendizagem e o fortalecimento da capacidade operacional do campus são peças de uma visão maior. Trata-se de criar um padrão elevado de educação internacional em Portugal, capaz de competir com mercados tradicionalmente mais maduros como Espanha, França ou mesmo os Emirados.

Portugal tem hoje condições únicas. Segurança, qualidade de vida, integração europeia, conectividade aérea crescente e uma reputação internacional cada vez mais positiva. O que faltava era escala e consistência em algumas áreas estratégicas, incluindo a educação internacional premium.

A parceria entre a APCP e a Beyond surge num momento particularmente relevante. O país continua a atrair residentes internacionais, investidores imobiliários, profissionais remotos e famílias que procuram estabilidade num mundo cada vez mais incerto. A educação é um fator decisivo nessa decisão.

Vejo esta operação como parte de uma tendência mais ampla: o capital institucional português começa a olhar para setores estruturais, com impacto transversal na economia. Educação, tecnologia, energia, infraestruturas. Não apenas como setores isolados, mas como plataformas de crescimento sustentável.

Se o plano de expansão for executado com a disciplina anunciada, poderemos estar perante a criação de um verdadeiro grupo educacional com projeção internacional, ancorado em Portugal.

Num momento em que o país procura consolidar o seu lugar no mapa global, a educação deixa de ser apenas um serviço. Passa a ser infraestrutura estratégica.

E é exatamente esse tipo de visão que pode fazer a diferença nos próximos anos.