O recente evento promovido pela Morais Leitão, em parceria com a Stinma, foi justamente um desses momentos. Mais do que uma reunião técnica, foi um sinal claro de que o setor está entrando em uma nova fase, onde conformidade, transparência e supervisão desempenham um papel central.

A sessão de abertura imediatamente colocou o tópico em sua estrutura adequada. A nova arquitetura europeia de combate à lavagem de dinheiro não é apenas mais um conjunto de regras. É uma mudança estrutural na forma como o setor imobiliário é visto e regulado. As intervenções iniciais deixaram claro que o setor imobiliário deixou definitivamente de ser uma área periférica nesse tipo de supervisão e está no centro das preocupações regulatórias europeias

.

Foi neste contexto que tive a oportunidade de participar na mesa redonda dedicada ao impacto do pacote europeu de AML no imobiliário, juntamente com Florbela Rocha, Nuno Trezentos e Patrícia Garcia, sob a moderação de Patrique Fernandes. A discussão foi direta e pragmática, refletindo o que o setor já está começando a sentir no terreno. As novas regras não são apenas exigentes, mas também transformadoras. Eles exigem mais estrutura interna, mais controle, mais conhecimento do cliente e, acima de tudo, uma mudança cultural dentro das organizações.

O tópico do KYC, aprofundado na segunda mesa redonda, reforçou exatamente essa ideia. Identificar, validar e monitorar o cliente não é mais um procedimento administrativo, mas um elemento estratégico do negócio. As intervenções mostraram claramente que o gerenciamento de riscos no setor imobiliário está evoluindo rapidamente e que a capacidade de adaptação será decisiva para o futuro das empresas do setor

.

O que ficou evidente durante todo o evento é que não estamos mais falando sobre uma tendência futura. Estamos falando sobre a realidade atual. A supervisão será mais exigente, mais integrada e mais europeia. E isso significa que o setor terá que responder com maior profissionalização, melhores processos e um claro compromisso com a transparência

.

Houve também um elemento particularmente relevante que percorreu todas as intervenções: a importância da colaboração. Entre entidades públicas, operadores privados, consultores e reguladores. Nenhuma empresa, por mais preparada que seja, será capaz de responder sozinha a essa nova estrutura. O futuro envolverá inevitavelmente um maior compartilhamento de conhecimento e uma aproximação entre todos os atores

do setor.

A qualidade da moderação ao longo das diferentes sessões permitiu que a discussão permanecesse focada, dinâmica e relevante. E as contribuições apresentadas trouxeram dados e perspectivas que ajudaram a traduzir um tema complexo em algo concreto e aplicável à realidade das empresas

.

No final, a conclusão principal é simples, mas exigente. O setor imobiliário está se profissionalizando para um novo nível. E isso é positivo. Não apenas porque responde aos requisitos regulatórios, mas porque reforça a confiança no mercado. Em um setor em que a confiança é essencial, esse pode ser um dos maiores ganhos dessa nova fase.

O desafio agora não é entender as regras, mas integrá-las à vida cotidiana. Porque mais do que cumprir, será necessário evoluir

.