A existência de um excedente de locais dá aos decisores políticos e aos promotores de energias renováveis "flexibilidade para escolherem os locais que funcionam melhor tanto para a energia como para o ambiente", refere.

Os dados fazem parte de um estudo das organizações ambientais The Nature Conservancy e Zero, que apresentaram hoje um "Smart Siting Guide", uma ferramenta que aponta caminhos para Portugal conciliar os objectivos das energias renováveis com a conservação da natureza e reduzir os conflitos com as pessoas.

O estudo indica ainda que até 70% da energia eólica onshore pode ser obtida em zonas de baixo conflito, sendo os restantes 30% potencialmente alcançáveis através da modernização dos parques eólicos existentes.

O trabalho também identificou as chamadas zonas de conflito moderado, uma "reserva estratégica com expansão futura", que pode ser utilizada com um planeamento cuidadoso e o envolvimento das partes interessadas. As duas organizações referem que os dados de localização do "Smart Siting" podem orientar o investimento em melhorias da rede, concentrando-se em regiões com elevado potencial de energias renováveis e baixo conflito, "ajudando a evitar impactos desnecessários e contribuindo para um fornecimento eficiente de energia".

Salientam também a importância de ter em conta os valores estéticos, ouvir as comunidades e garantir que os projectos reflectem as prioridades das pessoas e proporcionam benefícios duradouros.

O guia "Smart Siting" para Portugal é um estudo científico de modelação e mapeamento que classifica o território português de acordo com o seu potencial para o desenvolvimento de projectos de energias renováveis e o seu risco de conflito com a biodiversidade, valores sociais e comunidades.

Em comunicado, a Zero diz que o guia pode ser uma base importante para decisões políticas e técnicas a vários níveis do sector (promotores, entidades nacionais, municipais e comunitárias), "crucial no atual momento de definição das Zonas de Aceleração das Energias Renováveis", e "demonstra que existe um enorme potencial em Portugal para desenvolver energias renováveis em zonas de baixa conflitualidade".

Diz ainda a Zero que desincentivar o desenvolvimento de energias renováveis em zonas de potencial conflito "não só é justo e benéfico para as populações e para a biodiversidade, como também para os promotores, permitindo projectos mais rápidos, com menos contestação e melhor reputação, acelerando em última análise a transição energética".

Citado no comunicado, o presidente da Zero, Francisco Ferreira, lembrou que várias centrais solares de grande escala "têm gerado forte oposição e mobilização popular em muitos aspetos, resultando da seleção de áreas com fortes impactos ambientais e sociais".

Nesse sentido, considerou o estudo um contributo para a superação de conflitos, conciliando a produção de eletricidade renovável com o respeito pela paisagem, biodiversidade e populações locais".

Portugal comprometeu-se a produzir 93% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.